Nada sobre aquele casamento era convencional. Não havia igreja, nem buffet, nem mesa de doces (embora houvesse bolinhas flutuantes de sabor telepático que, segundo Luna, tinham gosto de “memória feliz com caramelo”).
Foi no topo de uma colina escondida, com um céu limpo, sem nenhuma nuvem e com todas as estrelas possíveis piscando como convidadas. — Isso é real? — Luna sussurrou, ajustando a pequena flor orgânica no cabelo. Ela vestia algo leve, branco, com discretos brilhos que reagiam à luz do pôr do sol. — Não parece um pouco sonho demais?
— Eu fiz os cálculos — respondeu Alion, segurando suas mãos. — E a probabilidade de estar sonhando é de 0,003%. Mas, mesmo que fosse, eu pediria que você ficasse.
Os votos foram trocados sob uma estrutura feita de ramos orgânicos e cristais vibracionais. Não havia padre, nem juiz. Apenas uma amiga de Alion — uma entidade com forma semi-humana e voz que soava como harpa molhada — que declarou:
— Unimos aqui duas vibrações distintas em uma frequência nova. Que ela dance por todos os sistemas, ressoe em todas as almas e, se possível, não derrube mais copos.
Risadas. Beijos. Abraços. E uma festa pequena, com os amigos mais próximos (humanos e não-humanos), onde Alion, em certo ponto, tentou dançar jazz pop e acabou derrubando uma taça de novo. Era quase tradição.
Mais tarde, sentados sob as estrelas, enrolados em um cobertor feito de tecido orgânico que se ajustava à temperatura emocional do casal, Luna encostou no ombro dele e disse:
— Você acha que daríamos bons pais?
Alion piscou, surpreso, depois olhou para o céu.
— Depende... Um deles vai herdar meu nível de equilíbrio? Porque aí precisamos acolchoar a casa toda.
Ela riu, mas sua mão pousou instintivamente na barriga.
Silêncio.
— Luna...?
Ela olhou para ele, olhos brilhando. Não disse nada. Apenas sorriu daquele jeito que só ela tinha — e que dizia tudo.
Alion ficou quieto por um momento. Depois, com a voz baixa e absolutamente encantada, respondeu: — Então... nossa frequência está mesmo se expandindo?
Ela assentiu.
Ele a abraçou, forte, como se pudesse proteger aquele pequeno novo universo nascendo dentro dela.
No céu, uma estrela cadente cortou o horizonte. Talvez coincidência. Ou talvez... uma bênção silenciosa do cosmos.
E assim terminou aquele capítulo.
Mas todos os universos sabem: quando uma nova frequência começa a vibrar, novas histórias estão prestes a nascer.