Reconstruindo nosso império.
Não está sendo nada fácil. Nosso império está em ruínas. E olhar para ele sem vocês aqui comigo… Foi uma dor enorme vê-los partir diante dos meus olhos. Tentei protegê-los e, no fim, não consegui. Me sinto culpado por terem destruído nosso império. Eu nunca quis guerra. Não queria carregar mortes nas costas. Eu jamais quis que nada disso acontecesse.
Essa guerra não é culpa minha. Vieram muitos de outros reinos para nos ajudar a reconstruir. Pelo que fiquei sabendo, o rei do reino vizinho queria nosso território. E, como meu pai era rei deste povo e só restou eu na família, hoje sou o rei.
Sei dos riscos que corro. Uma rixa antiga entre minha família e o reino vizinho ainda existe. A paz que sempre desejei, nunca tive. Se o rei Arthur me matar, o que será do nosso povo? Ele quer morte. Para aqueles que não seguem suas ordens, é forca ou fogueira. Muitos do reino de Arthur, descontentes com suas ações, mudaram-se para cá. É tempo de mudança e renovação.
Eu sou amigo do irmão de Arthur, e por esse motivo, Alfredo se mudou para cá. Não havia guerra antes da morte do pai de Arthur, que, por sinal, era amigo do meu pai. Mas esse Arthur… é um cão de ruim. Dizem as velhas fofoqueiras que Arthur não é filho legítimo do rei, e que quem deveria ocupar o trono era Alfredo. Alfredo sempre foi meu braço direito. Ele nunca aceitou essa guerra. Meu amigo sempre quis paz, assim como eu. E no fim, não a tivemos.
— Heitor, meu amigo, eu sei como acabar com meu irmão. — disse Alfredo.
— Não podemos colocar nossos guerreiros em risco. — respondi. — Perdemos muitos. Não podemos arriscar. Seu irmão ficou com o trono, sendo que quem deveria ficar era você.
— Heitor, eu saí daquele reino porque um segredo podia vir à tona. — Alfredo respondeu. — E seria eu para reinar aquele império. Sabendo do que meu irmão fez no passado, ele não podia reinar.
— Heitor, nosso rei… eu vi o que ele fez e quase me matou também. — Falou. — Ele foi tão convincente que todos do reino acreditaram nele.
— Meu amigo, se você viu o que aconteceu, piorou. — redargui atônito — Você se mudou para meu reino e, com isso, corremos mais riscos. E você corre bem mais riscos que nós.
— Meu irmão sabe que sei desse segredo… um segredo sujo dele. — Alfredo confidenciou. — Ele não só matou os guerreiros do seu reino…
— Você bebeu, Alfredo? Deve estar confuso e falando coisas que não existem. — Perguntei ríspido.
— Heitor, eu sei do que estou falando. — Alfredo falou, mas eu não estava acreditando em nada. — Sei também do que meu irmão é capaz. O plano dele deu tão certo que hoje ele é rei daquele reino.
— Meu amigo, amanhã conversamos sem bebidas no meio. — Resolvi acabar com aquela conversa estranha. — Boa noite, Alfredo.
— Boa noite, Heitor.
E assim saí do bar do reino. Reconstruímos nosso império num piscar de olhos, graças aos novos moradores.