O Retorno O Cheiro da Chuva · Capítulo 8 de 15
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O Retorno

O despertador tocou às 05:00, cortando o seu melhor sono. Sofie permaneceu imóvel por alguns segundos, os olhos fixos no teto, a memória do vento de Jotunheimen e do calor da pele de Noah ainda parecia mais real do que a claridade pálida de Oslo.

Ela se levantou com um esforço gigante e caminhou até o banheiro. Sob a água escaldante do chuveiro, ela fechou os olhos e deixou que o vapor envolvesse seus ombros tensos. Enquanto o sabonete deslizava por sua pele, ela apoiou as mãos na parede de azulejos e soltou um suspiro longo.

— Eu preciso de mais dez dias em casa — sussurrou para o vapor, uma vontade intensa de fugir de volta para as montanhas, para o ronco grosso da Harley e para a liberdade de ser apenas "Sofie”.

Mas a realidade não esperava. Ela se secou, vestiu sua roupa de alfaiataria impecável e seguiu para o hospital.

Às seis da manhã, o hospital já pulsava com sua rotina. Sofie caminhava pelos corredores, com seu uniforme médico, o som rítmico de seus sapatos de borracha no linóleo. Ela sentia o corpo leve, uma memória sensorial das curvas da estrada ainda impregnada em seus músculos.

Ao entrar em sua sala, ela fechou a porta e parou por um instante. Respirou fundo, enchendo os pulmões, tentando aterrar-se no papel de Dra. Bergan, sentou-se diante da mesa. O café que ela mesma buscou estava morno, e a pilha de prontuários parecia um monumento à burocracia que ela tanto evitou nos últimos dias.

As horas passaram em um borrão de emergências, consultas e decisões clínicas.

Às onze horas, exausta pela carga emocional do primeiro dia de volta, ela se refugiou novamente em seu gabinete. Toc, toc.

— Entre — disse ela, sem desviar os olhos dos papéis, a caneta deslizando de forma automática, acreditando ser apenas mais um enfermeiro com uma assinatura pendente. Ninguém disse nada, Sofie ergueu o olhar lentamente. De costas para ela, trancando a porta, estava a silhueta inconfundível de Philip.

O coração dela disparou. Ela se levantou em um movimento instintivo, a cadeira arrastando-se com um ruído estridente, enquanto Sofie dava lugar à mulher que, em segundos, sentiu todo o seu controle ruir.

— Philip? O que você está fazendo aqui? — A pergunta saiu enquanto ela contornava a mesa, indo em direção a ele, dividida entre o pânico profissional e a felicidade em vê-lo de novo ali.

Ele se virou. O olhar dele estava sombrio, preenchido por algo que Sofie nunca viu antes, uma mistura de fúria represada e alívio devastador. Ele não deu espaço para explicações lógicas.

— Eu me separei — ele disse, a voz rouca, quase cochichando.

Antes que ela pudesse processar a frase, Philip avançou. Suas mãos agarraram a cintura de Sofie com possessividade, ele a pegou no colo e a prensou contra a parede, o impacto abafado pelo corpo dele contra o dela. O beijo que se seguiu foi desesperado, uma colisão de línguas que ignorava qualquer ética ou protocolo. Sofie envolveu o pescoço dele, as unhas cravando-se na nuca de Philip, respondendo com a mesma urgência, como se aquele beijo fosse o único oxigênio disponível no hospital. Como ela ansiava por esse beijo.

A respiração de ambos tornou-se um coro ofegante no silêncio da sala trancada. Philip a desceu lentamente, mas não parou de beijá-la. Ele deslizou as mãos por baixo da blusa branca dela, a pele dele queimando contra a dela. Com um movimento decidido, ele expôs os seios de Sofie, apenas para cobri-los imediatamente com o calor de sua boca. Ele a explorava com uma vontade, os dedos apertando-lhe a carne com uma necessidade de quem sentia que o mundo poderia explodir em cinco minutos e aquele era o único momento que ele poderia sentir ela.

Ele subiu os olhos nos dela novamente.

— Eu sou apaixonado por você desde a primeira vez que eu te vi. eu... eu estou ficando louco — ele murmurou contra a pele dela, a voz vibrando diretamente em seu peito.

Em um movimento audaz, ele enfiou dois dedos na boca de Sofie e em seguida deslizou para dentro da calça dela. Ele a encontrou completamente úmida, uma resposta ao desejo que ele despertava. Sofie soltou um gemido baixo, a cabeça pendida para trás contra a parede, os dedos emaranhados nos cabelos dele. Philip retirou a mão e, com um olhar que desafiava qualquer juízo, levou os dedos aos próprios lábios, saboreando-a diante dos olhos arregalados dela.

— Eu sabia que você teria um sabor doce — ele sussurrou, o polegar traçando o contorno dos lábios inchados dela. — Vamos nos ver hoje à noite?

Sofie tentava recuperar o fôlego, o peito subindo e descendo freneticamente enquanto tentava recompor a blusa. O contraste entre o homem que a rejeitou e o homem que acabava de declarar sua paixão era estonteante. — Sim... — ela conseguiu articular, a voz ainda falha. — Depois eu te passo o endereço de onde pode me encontrar.

Philip segurou o rosto dela com as duas mãos, uma carícia final que contrastava com a agressividade de segundos atrás, e a beijou suavemente. Ele caminhou até a porta, a destrancou e consultou o relógio com uma calma que não condizia com o brilho selvagem em seus olhos.

— Eu ainda tenho dez minutos para meu atendimento, dos nossos vinte minutos — ele disse, com um sorriso de canto que era pura provocação. — Mas acredito que é melhor pararmos agora... ou vão acabar pegando a gente no flagra. Até depois, Sofie.

Ele saiu da sala com a mesma elegância com que entrou, como se nada tivesse acontecido, deixando para trás apenas o aroma de seu perfume. A saída de Philip foi o sinal para que a gravidade voltasse. Sofie sentiu os joelhos fraquejarem, as costas ainda encostadas na parede que, momentos antes, serviu de apoio para um incêndio que ela julgava extinto.

Ela respirou fundo, o ar entrando nos pulmões. Suas mãos tocavam sua

própria pele e sorria por lembrar que Philip a tocou. Fechando os olhos, sentindo o perfume dele impregnado em sua roupa.

Caminhou até o pequeno espelho guardado na primeira gaveta de sua mesa. A imagem que viu não era a da Dra. Bergan, impecável e contida.

Seu cabelo estava bagunçado, as bochechas exibiam um rubor e seus olhos pretos brilhavam.

— Merda, Philip... — ela sussurrou para o próprio reflexo com um sorriso de canto, passando os dedos pelos lábios inchados, lembrando do beijo.

Ela pegou um lenço umedecido de dentro de sua bolsa e limpou os borrões, retocando a maquiagem, como alguém que precisa esconder um crime. Ajeitou a calça, conferindo se cada vinco estava no lugar, e vestiu o jaleco branco, abotoando-o até em cima, como se aquela camada de tecido branco fosse capaz de abafar o desejo infernal que ainda queimava sua pele e o rastro de fogo que Philip deixou em seu corpo.

Ao olhar a pilha de prontuários, a caneta entre seus dedos pareceu pesar uma tonelada. A sala agora está carregada com o eco das palavras de Philip e o calor da invasão a impedindo de focar em seu trabalho.

As montanhas de Jotunheimen, o ronco grosso da Harley de Noah e o riso leve de Alana pareciam ter acontecido em outra encarnação, memórias distantes de uma paz que acabou de ser estilhaçada.

A cabeça de Sofie estava a um milhão. Ela encarava as linhas pretas nos prontuários, mas não conseguia ler uma palavra sequer. Um conflito ético e emocional travava uma batalha campal em seu peito: ela sabia que aquilo era perigoso, que Philip era um terreno instável e que Noah era a promessa de algo leve e real.

Ela fechou os olhos e a imagem dos quatro rindo à beira do lago surgiu. Mas a lembrança era rapidamente sufocada pela sensação das mãos de Philip em sua pele e pelo sabor dele que ainda parecia marcar sua boca. O desejo por ele era algo surreal, algo que a cegava para qualquer ideia racional. Ela sentia como se estivesse em queda livre, e a queda era viciante. — O que eu estou fazendo? — sussurrou para o vazio da sala, a voz embargada pela dúvida.

Ela sabia que deveria ser a médica e mulher equilibrada, mas com ele, Sofie era apenas uma mulher consumida por uma vontade que não seguia regras, nem horários, nem moralidade. A prudência dizia para ela recuar, mas o sangue que corria em suas veias gritava pelo encontro de mais tarde. Sofie buscou o celular no bolso do jaleco. O visor iluminou seu rosto ansioso, refletindo a decisão que acabou de tomar. Com uma rapidez que atropelava qualquer resquício de prudência, ela digitou o endereço de seu apartamento em Aker Brygge e enviou. A resposta não demorou, o aparelho vibrou na sua palma.

Philip: Combinado, às 19h estarei lá.

Aquelas cinco palavras foram o suficiente para desmoronar o resto de sua fachada profissional. Sofie largou o celular sobre a mesa e encostou as costas na cadeira, fechando os olhos. Cada vez que suas pálpebras se fechavam, a sala de consultas deixava de existir. Ela voltava para aquele instante contra a parede, sentindo a sensação das mãos de Philip lambendo seus seios. O beijo... e que beijo. A lembrança da respiração dele descompassada contra seu pescoço fazia seus mamilos enrijecerem sob a blusa.

Um calor insistente começou a se espalhar por seu baixo ventre, uma pulsação que ela tentava ignorar, mas que a consumia de dentro para fora. O cheiro dele a enlouquecia, parecia ter ficado impregnado em suas narinas, enlouquecendo seus sentidos.

Ela lembrava do olhar dele, direto e profundo, enquanto ele a acariciava com os dedos, depois ele lambendo seus próprios dedos. Era uma profanação deliciosa de tudo o que ela deveria representar ali dentro.

— Philip... — o nome dele escapou em um sussurro, o nome que ela repetia enquanto cruzava as pernas com força sob a mesa, tentando conter a excitação que a deixava tonta.

A ideia racional de Noah, das montanhas e da paz da estrada, foi completamente obliterada. Naquele momento, Sofie era pura pulsão.

Ela não queria paz, calmaria ou a luz, ela ansiava pelo diabo da carta, por queimar junto dele no inferno mais profundo, onde a única moralidade era o prazer violento de suas mãos e o sabor pecaminoso de sua boca, trocando a redenção pelo

pecado absoluto.

Ela estava pronta para as chamas, desde que Philip fosse o combustível. Ela não queria a liberdade das estradas; queria ser prisioneira daqueles braços novamente, no escuro de seu apartamento, onde não haveria jalecos, nem trancas, nem o medo de serem pegos. Apenas a urgência de dois corpos que se reconheciam no caos.

O relógio na parede parecia zombar de sua pressa, cada segundo arrastando-se como uma tortura, enquanto ela contava os minutos para ser, finalmente, consumida pelo fogo que ele acabou de atear.

Às 13h, o hospital tornou-se um cenário insuportável para Sofie. Ela atravessou o saguão rapidamente. Ao chegar em seu apartamento, ela selecionou cada peça com calma: uma lingerie preta, minimalista e provocante sob um camisetão de banda desgastado, completando o visual com meias altas. No banheiro, o vapor subia. Foi um de seus banhos mais longos. Ela se perfumou, sentindo as notas da fragrância se misturarem ao calor de seu corpo, e preparou o ambiente com luzes baixas e uma garrafa de vinho tinto já respirando sobre a mesa.

Enquanto ela secava seu cabelo, as primeiras gotas de chuva começaram a estalar suavemente contra o vidro da janela. O som foi aumentando, transformando-se em um temporal. As horas foram passando e a chuva diminuiu para uma garoa persistente quando, finalmente, ela escutou o ronco de uma moto. O interfone tocou, ela autorizou a entrada, a ansiedade foi aumentando até finalmente ele bater.

Ao abrir a porta, a trilha sonora de Black Leather Midnight Teddy e a luz

baixa preenchia a sala. Philip estava ali, parado, a silhueta emoldurada pelo corredor do prédio. Ele entrou com uma sutileza inesperada.

— Eu prometi que viria aqui para conversar com você — ele disse, a voz baixa e tensa, lutando contra a própria natureza. — Que não permitiria que meu desejo me controlasse. Mas...

Ele a olhou dos pés à cabeça, absorvendo o contraste entre a agressividade da camiseta de rock e a vulnerabilidade das meias. O cheiro de Sofie o atingiu como sempre. Sem mais palavras, ele avançou. Uma mão mergulhou possessiva por baixo do cabelo dela, enquanto a outra apertava sua cintura, fundindo seus corpos. O trajeto até o quarto foi um borrão de beijos e respirações curtas.

No corredor, a camiseta dele foi descartada com a ajuda febril de Sofie, revelando o peitoral que ela tanto ansiava tocar. Ao chegarem à cama, ele a jogou sobre os lençóis. Ele deitou por cima e permaneceu sobre ela, os olhos escuros perfurando os dela, como se estivesse memorizando cada detalhe daquele rosto. O beijo que se seguiu foi profundo, selando o destino de ambos. As mãos dele deslizaram pela barra da camiseta de Sofie, puxando a peça para cima e revelando seu corpo curvilíneo e seios fartos. Logo tratou de trilhar a pele toda dela com seus lábios. Cada centímetro desnudado recebia um beijo, do calor do ventre à curva do pescoço, fazendo o corpo dela arquear-se em direção ao dele. Com movimentos ágeis, ele baixou um pouco sua calça jeans e afastou a renda da calcinha de Sofie. O suspiro que deram juntos quando ele finalmente a preencheu foi o som de dois náufragos encontrando terra firme.

A conexão era absoluta, o calor era devastador. Mas, no auge daquela entrega, o impensável aconteceu. O corpo de Philip travou em uma mudança brusca, como se uma corrente elétrica tivesse sido cortada. Ele parou todo o movimento, a respiração subitamente pesada e irregular. Ele a olhou mais uma vez, um olhar carregado de algo que ela não conseguiu decifrar: culpa, pânico ou uma percepção súbita que o assolou.

Sem dizer uma única palavra, ele se levantou rapidamente. O som do zíper da calça sendo fechado, seguido dos passos dele até o corredor, recolheu a camiseta do chão, a colocou e saiu. O estrondo da porta se fechando ecoou pelas paredes de concreto. Sofie se levantou, o corpo ainda pulsando.

Ela caminhou até o meio do corredor e parou ali, em pé, os pés descalços sobre a madeira aquecida. Ela não entendia mais nada. O "Diabo" a levou ao topo do precipício apenas para soltar sua mão no último segundo.

Ainda em choque, movida por um impulso de incredulidade, ela caminhou até a porta e a abriu, olhando para o corredor vazio, esperando que aquilo fosse apenas um pesadelo ou uma brincadeira cruel. Mas não havia ninguém, apenas o cheiro da chuva e o dele, que agora parecia uma assombração no ar.

Sofie caminhou até a grande janela de vidro. O asfalto lá embaixo brilhava sob a iluminação urbana, refletindo a chuva fraca que caía insistente. Ela viu Philip ligando a moto e indo embora.

— Mas que porra aconteceu aqui? — As palavras saíram baixas, carregadas de uma incredulidade ácida.

Seus dedos envolveram o gargalo da garrafa de vinho tinto, ela deu um gole longo, sentindo o líquido descer, para tentar preencher o abandono súbito.

Sofie ligou para sua amiga ir até seu apartamento. Uma hora depois, Alana entrou, ainda com o casaco úmido da chuva. Ela encontrou Sofie sentada no tapete, com o camisetão de banda e as meias, com um sorriso que não chegava aos olhos, moldado pelo álcool.

— O que aconteceu, Sof? — Alana perguntou, a voz suave, mas carregada de preocupação.

— Aconteceu que a sua amiga racional... na verdade, é uma tola.

— Sofie riu, uma risada sem humor, antes de levar a garrafa aos lábios novamente. — Você quer vinho também? — Ela estendeu a garrafa para a amiga, balançando-a levemente.

— Não, obrigada — Alana sentou-se à frente dela, cruzando as pernas. — Mas me diga o que houve. De onde veio esse estado?

Sofie suspirou, o efeito do vinho deixando suas palavras mais soltas.

— Houve que o Philip apareceu no meu consultório hoje. Do nada. Trancou a porta e disse que estava solteiro. Ele me beijou, Alana... ele me tocou de um jeito que esqueci meu próprio nome. Combinamos de nos ver aqui.

Ela fez uma pausa, olhando para o fundo da garrafa.

— Ele chegou aqui, me agarrou, me beijou, me jogou na cama... Ele chegou a estar dentro de mim. E, no exato momento, ele paralisou. Ele me olhou e saiu correndo, como se eu fosse uma doença contagiosa, como se o toque do meu corpo o repugnasse. Ele simplesmente foi embora e eu estou aqui, sem entender o mais absoluto

Alana franziu a testa, absorvendo o choque do relato. — Ele foi embora sem dizer uma palavra? Depois de... tudo isso?

— Nem uma sílaba. Só o barulho da porta batendo — Sofie gesticulou com a mão livre, derrubando uma gota de vinho no tapete. — Eu sinto que passei por um furacão e ele me deixou pendurada no galho mais alto, sem escada. O que um homem pensa quando faz isso, Alana? que há de errado comigo?

Alana inclinou-se para frente, tirando gentilmente a garrafa da mão de Sofie. — Não há nada de errado com você, Sofie. Isso tem a ver com o caos que está na cabeça dele. Um homem não diz que está solteiro e foge no meio do ato por causa da mulher. Ele fugiu de algo que sentiu ou de algo que lembrou.

— Eu só queria que o mundo fizesse sentido como as montanhas faziam no sábado — Sofie murmurou, encostando a cabeça no sofá. — Eu troquei a paz pelo inferno... e ele mal me deixou entrar.

A chuva continuava a tamborilar contra o vidro. Sofie soltou um suspiro pesado, sentindo o peso do vinho e a confusão mental lutando por espaço. — Alana... — Sofie estendeu o braço, entregando o celular para a amiga.

— Pega meu celular, pede qualquer comida e fica aqui comigo. Eu estou com vergonha. Como se o problema fosse eu. Mesmo a minha parte racional dizendo que não é... é uma sensação estranha, como se eu tivesse falhado em algo. Não estou exatamente triste, sabe? É que nem sei o que é.

Alana pegou o aparelho, os dedos ágeis deslizando pela tela enquanto buscava um restaurante no aplicativo. Sofie se acomodou no tapete, abraçando os próprios joelhos sobre o camisetão de banda, o olhar fixo na tela da TV, na qual estava passando o filme O Morro dos Ventos Uivantes, que contrastava exatamente com eles.

Enquanto Alana finalizava o pedido, o celular vibrou na mão dela. Uma notificação de mensagem de Philip surgiu no topo da tela. Instintivamente, Alana leu, o cenho se franzindo à medida que as palavras de Philip preenchiam o visor.

Sofie, não sei como começar isso. Eu não sei ao certo o que aconteceu, o porquê dessa atitude. Ao mesmo tempo que me pareceu errado ter-te em meus braços, o medo me consumiu. Medo de te perder, medo de algo tão bom para ser verdade estar de fato acontecendo. Eu sei que pode parecer bobagem, mas eu sou apaixonado por você, desde o primeiro dia, desde seu primeiro contato frio e duro com um Fjorde. Eu senti algo que nunca senti na vida, já sou um homem maduro, não tenho mais ilusões da vida, mas com você, parece que algo reviveu dentro de mim, algo talvez que eu nem sabia que poderia ainda estar por lá. Espero que possa

me perdoar, estou muito confuso, você não merece isso.

Alana bloqueou a tela, respirando fundo. Ela olhou para Sofie, que continuava séria, presa no filme. — Sof, pedi a comida, chega em trinta minutos — Alana disse, a voz num tom mais baixo e cauteloso, se aproximando, sentando-se ao lado da amiga. — Tem outra coisa. Lembra que eu disse que ele não fugiu por nada?

Sofie virou o rosto lentamente, os olhos levemente nublados pelo álcool, mas atentos. — Leia isso — Alana estendeu o celular. — Mas, por favor, pensa bem antes de responder. Não faça isso agora que você está bêbada. Responda depois que a gente comer, quando você estiver mais sóbria e calma. Promete?

Sofie pegou o aparelho. Seus olhos percorreram o texto de Philip. A cada linha, a expressão de "tola" ia dando lugar a uma seriedade profunda. A ironia de ser uma médica acostumada a lidar com a vida e a morte, e

agora estar paralisada por uma declaração de amor torta enviada por

após um abandono na cama.

— Ele teve medo — Sofie sussurrou, mais para si mesma do que para

Alana. — Medo de me perder antes mesmo de me ter.

— É uma bagunça, Sof — Alana comentou, passando o braço pelos ombros da amiga em um gesto de apoio. — Você vai conseguir refletir melhor sobre isso.

A tensão sexual de horas antes havia se transformado em uma tensão existencial. Sofie deixou o celular de lado, a tela virada para baixo, e recostou a cabeça no ombro de Alana.

— Vamos comer primeiro — Sofie concordou, o tom de voz recuperando um pouco da firmeza. — Depois eu decido se mando ele para o inferno ou se vou lá queimar com ele.

A conversa entre as duas voltou a fluir de forma leve, uma amizade iniciada em turnos intermináveis de hospital. Elas falaram sobre o trabalho, sobre Noah, sobre a comida que estava por vir, evitando tocar no nome de Philip. O clima mudou completamente com a chegada da barca de sushi. A tensão dramática de Philip deu lugar àquela cumplicidade deliciosa que só surge entre amigas que já dividiram muitos segredos. Entre um niguiri e outro, o som dos hashis batendo era acompanhado por confissões que faziam as bochechas arderem.

— Me conta sobre o Arne, como estão? — Sofie perguntou enquanto pegava um sashimi.

— O Arne é... — Alana começou, mordendo um sashimi de salmão e sorrindo de um jeito que Sofie conhecia bem.

— Ele é muito carinhoso, sabe? E desculpa comentar, mas ele é muito bom de cama. Beija bem, tem pegada. Estamos conversando bastante e já combinando os próximos encontros.

Sofie soltou um suspiro, sentindo o efeito do vinho ser substituído pela satisfação da comida e pela alegria da amiga.

— Fico feliz por você, amiga. De verdade. Aproveite cada segundo. Sofie tomou água antes de continuar. — Ainda bem que fomos naquele bar, conhecemos pessoas novas... saímos da nossa bolha de hospital para experimentar essas coisas.

Sofie olhou para Alana com um brilho travesso nos olhos. — Aliás, eu vi quando vocês voltaram da "caminhada" — Sofie fez o sinal de aspas com os dedos, soltando uma risadinha. — E sabe o que mais eu não te contei?

— O quê? Me conta! — Alana inclinou-se para frente, os olhos arregalados de curiosidade.

— Eu quase transei na caverna com o Noah — confessou Sofie, rindo da própria desgraça. — Mas adivinha? Não rolou. Um grupo de turistas chegou exatamente quando ele estava com a boca em um dos meus seios. A minha sorte é que fomos rápidos.

Alana explodiu em uma gargalhada, quase se engasgando com o shoyu. — Sofie! A caverna é um ponto turístico famoso, sua louca! Todo mundo vai lá tirar foto!

— Pois é, eu descobri da pior maneira — Sofie brincou, jogando uma almofada na amiga. — Mas me conta da caminhada.

Alana deu um sorrisinho de lado, a expressão ficando mais intensa. — Arne me pegou entre as árvores, num lugar mais escondido. Ele tirou a jaqueta, colocou no chão, me deitou e me devorou ali mesmo. Foi selvagem, Sof.

As duas soltaram pequenos gritinhos de empolgação, rindo alto enquanto mergulhavam os sushis no molho. As duas terminaram de assistir O Morro dos Ventos Uivantes. Na tela, o amor obsessivo de Heathcliff e Catherine ecoa a própria confusão interna de Sofie. A cada encontro furtivo dos personagens, ela via Philip; a cada promessa de amor impossível, ela sentia o peso daquela mensagem no celular.

— Parecem vocês dois, só que ele é o casado — Alana disse, comentando sobre o filme.

— Juro que pensei o mesmo, é isso que temos, essa química e essa necessidade de nos tocarmos. Eu não conseguiria explicar em palavras o que eu sinto. Ao organizarem as almofadas para dormir, o efeito do vinho já era apenas uma névoa baixa.

— Alana, acho que não vou responder. Não hoje — disse Sofie, com a voz cansada. — Não sei o que pensar. Melhor dormir e amanhã, depois do turno, eu vejo o que faço.

— Tudo bem, Sof. Acredito ser o melhor também. Vamos descansar, que amanhã o hospital não vai ter pena da nossa ressaca emocional.

O dia seguinte foi uma avalanche. Das seis às dez e meia da manhã, Sofie mergulhou em um atendimento atrás do outro. Finalmente, às onze, ela caminhou em direção à sua sala, ansiando por dez minutos de silêncio e um café preto. Quando sua mão tocou a maçaneta, uma voz familiar e baixa cortou o som do corredor.

— Sofie, espera.

Ela virou-se lentamente. Philip estava a poucos metros, ele vestia uma camiseta verde escuro que realçava seus ombros, calça bege, Vans nos pés e o cabelo propositalmente bagunçado. Parecia mais jovem e perigosamente lindo. Sofie não disse uma palavra, apenas abriu a porta e entrou. Philip entrou logo em seguida, o estalo da tranca girando, soando como um tiro final. Antes que ela pudesse questionar a mensagem ou a fuga da noite anterior, ele a envolveu. O beijo foi profundo, desesperado, como se as horas de afastamento tivessem sido anos de agonia. Ele segurou o rosto dela com as duas mãos, obrigando-a a encará-lo.

— Me desculpa, Sof — ele sussurrou, os olhos fixos nos dela com uma intensidade que beirava a dor.

— Tudo bem — ela respondeu, puxando-o de volta para o beijo. Era um desejo que não aceitava conversas racionais. Philip a virou de costas, e Sofie apoiou os braços na poltrona de couro da sala.

Ele baixou a calça do uniforme dela, as mãos firmes encontrando a pele quente das coxas. Com um movimento ágil, ele afastou a calcinha e a penetrou com uma força que fez Sofie arquear as costas.

Philip tapou a boca dela com uma das mãos, abafando o gemido que ameaçava escapar para o corredor. O ritmo dele era potente, mas controlado, um esforço físico para não fazer barulho.

— Eu quero te foder tanto hoje quando chegar na sua casa — ele falou baixinho, a voz vibrando em sua espinha. — Sou louco por você, Sof. — Sofie olhou para trás com os olhos semicerrados, a visão turva pela entrega.

Ele a levantou, o peitoral dele colava nas costas dela. Uma das mãos de Philip foi para o pescoço de Sof, mantendo-a firme, enquanto a outra descia para acariciá-la na frente, ditando o ritmo do prazer que subia como uma maré. — Goza para mim, Sof. — Disse ele baixinho no ouvido dela, tocando-a mais rápido, enquanto ainda a penetrava. Quando ela atingiu o ápice, tremendo sob o toque dele, Philip saiu de trás dela.

Ele a virou de frente, ainda ofegante, o olhar fixo no dele, enquanto tentava recuperar o ar que parecia ter sido roubado de seu corpo anestesiado. — Eu quero você. Entenda isso... até mais tarde.

Ele ajeitou a calça rapidamente, deixando a camiseta larga cair por cima para disfarçar o volume ainda evidente. Sem olhar para trás, ele abriu a porta e sumiu pelo corredor.

Sofie permaneceu ali, subindo lentamente a calça, enquanto sua respiração ainda cortava o silêncio. O "Diabo" havia retornado, e desta vez, ele não parecia disposto a fugir. Ele estava disposto a me queimar com ele, e o pior era que eu já sentia o cheiro da fumaça.

Sofie desabou na poltrona, tentando organizar os pensamentos que giravam como um redemoinho.

— Esse homem ainda vai me enlouquecer — disse em voz alta, sua voz ecoando nas paredes brancas.

O vibrar do celular sobre a mesa a trouxe de volta. Ela esticou o braço, esperando ver o nome de Philip, mas o visor mostrava Noah. À

Oi Sof, espero que esteja bem. Tenho uma surpresa para você, duas na verdade.

Depois te conto. Uma ótima tarde.

— Que merda... — murmurou. Com a adrenalina de Philip, ela havia simplesmente esquecido do Noah.

Sofie caminhou apressada pelo corredor. O banheiro do hospital era um ambiente frio, com azulejos de um azul-claro e o cheiro onipresente de sabonete líquido de erva-doce. Ao entrar, encontrou Alana retocando o rímel diante do grande espelho. Sem dizer nada, Sofie estendeu o celular para a amiga e entrou no reservado. Enquanto o som do xixi quebrava o silêncio, Alana lia a mensagem de Noah.

— Você precisa ser sincera com ele, Sof — a voz de Alana soou por cima da divisória de metal. — Fala que não pode seguir vendo ele. Ele parece um cara legal demais para ficar no meio desse fogo cruzado.

Sofie puxou a descarga, o barulho ecoando no banheiro vazio. Ela abriu a porta e foi para a bancada de mármore sintético. Abriu a torneira, deixando a água gelada escorrer pelas mãos, observando seu reflexo: o rosto ainda levemente corado, o olhar de quem acabou de cometer um crime delicioso. — Eu vou fazer isso — disse ela, secando as mãos com papel toalha. — Só não sei como. Estou me sentindo uma bruxa.

As duas seguiram para o refeitório. No caminho, a recepcionista acenou freneticamente.

— Doutora Bergan! Espere um momento. Fui até sua sala e não a encontrei. — Ela entregou uma caixa de bombons finos, embrulhada em papel pardo elegante, com um bilhete preso por um cordão de ráfia.

Sofie agradeceu com um sorriso forçado e abriu o papel enquanto caminhava.

"Primeira surpresa: doces dos quais você disse que gosta. A segunda: estou

preparando nosso encontro para daqui a dois dias. N."

Sofie parou no meio do caminho e estendeu o bilhete para Alana. — E agora, amiga? Me sinto pior ainda.

— Vai ter que fazer o que eu disse — Alana respondeu, pegando uma bandeja de plástico bege e entrando na fila do bufê. — Não dá para alimentar dois leões ao mesmo tempo.

Sofie pegou sua bandeja também. O cheiro de arroz integral e frango grelhado não parecia nada apetitoso. Ela se serviu com uma porção de salada de rúcula e alguns legumes no vapor. — Que droga — sussurrou Sofie enquanto se sentavam em uma mesa de canto, longe dos ouvidos curiosos dos residentes. — Em cinco anos, minha vida era tão morta, e agora tenho dois caras me querendo. Tive uma conexão boa com os dois, mas o Philip... Alana, o Philip é algo sobrenatural.

Alana deu uma garfada no purê de batatas, os olhos brilhando. — Quem diria que sua vida estaria assim, quase transando em cavernas e pegando o motociclista na sala de trabalho.

— Transando na sala, você quer dizer — corrigiu, cochichando com um sorriso torto.

Alana parou o garfo no ar, a boca aberta. — O quê? Você disse que foi só um beijo! Vocês transaram? Alana perguntou, colocando a mão do

lado do rosto e cochichando para Sof com olhos arregalados.

— Ele apareceu hoje, me pegou de um jeito que não deu para pensar. E hoje ele vai para minha casa. Só espero que ele não fuja de novo.

— Quer que eu fique do lado de fora segurando a porta? — Alana brincou, tomando um gole de seu suco de laranja.

— Sim, por favor — Sofie riu, o humor aliviando o peso no peito por um segundo.

Após o almoço, elas abriram a caixa de doces. Eram trufas de chocolate belga, decoradas com raspas de ouro e recheio de frutas vermelhas.

— Me sinto tão errada em comer esses doces — disse Sofie, mas a mão já levava um à boca. O contraste do chocolate amargo com o doce ácido do recheio era perfeito.

— Ele te deu, vamos comer — Alana a encorajou. — Você não o iludiu, Sof. Só foi viver o momento, o presente foi escolha dele.

Sofie pegou o celular. A hora da verdade. Seus dedos hesitaram sobre o teclado antes de digitar:

Sofie: Olá Noah, recebi os chocolates, obrigada. Sinto muito, mas tem muita coisa acontecendo na minha vida agora. Sinto que não devo começar nada e nem te dar expectativas. Você é um cara incrível e eu sou uma mulher perdida em meus

próprios sentimentos. Não seria justo com você. A resposta chegou minutos depois.

Noah: Tudo bem, Sof. Quem criou expectativas fui eu mesmo, você não me

prometeu nada. Quem sabe em outro momento. Até breve.

Sofie bloqueou a tela e suspirou, sentindo um nó na garganta. Ela se sentia mal, uma pontada de tristeza por dispensar algo tão leve, mas sabia que, no fundo, sua alma já estava acorrentada ao caos que atendia pelo nome de Philip. O apartamento de Sofie tinha janelas do chão ao teto que emolduravam a marina de Oslo. Às 15h30, o sol da tarde banhava

a sala de estar.

Sofie, recém-saída de um banho longo e quente, tentava acalmar o coração, animada e com medo ao mesmo tempo. Ela optou por uma camisola preta de seda que deslizava sutilmente sobre seu corpo cheio de curvas e dispensou qualquer lingerie complexa.

O interfone tocou às 15h58. O estômago de Sofie deu uma volta.

— Philip? — perguntou, a voz ligeiramente falha.

— Sou eu.

Enquanto ele subia, Sofie o esperava atrás da porta.

Ao abrir a porta, a figura de Philip preencheu o batente, vestindo uma jaqueta jeans preta, anéis prateados nos dedos e uma calça de jeans escura. Seu cabelo recém-cortado e a barba escura bem alinhada, e o olhar dele estava carregado de malícia. No momento em que a porta se fechou, Philip avançou. Foi como um leão subjugando uma presa, prensando-a contra a madeira da porta. O beijo que se seguiu não tinha suavidade; era uma busca febril pela boca um do outro, onde o entrelaçar das línguas ditava um ritmo selvagem. Sofie agarrou os ombros dele, respondendo com a mesma urgência.

Sem romper o beijo, Philip a levantou no colo. Sofie entrelaçou as pernas ao redor da cintura dele, sentindo a rigidez do corpo dele contra o seu. Ele caminhou até o sofá, sentou-se, mantendo-a por cima em seu colo. Com uma mão, afastou o cabelo dela para trás, expondo o pescoço arqueado. O olhar dele, fixo no dela, era uma mistura de adoração e posse.

— Agora você pode gemer à vontade, Sofie — ele sussurrou, a voz rouca e baixa. — Ninguém vai nos interromper.

Ele a deitou no sofá e cobriu seu corpo com o dele. Seus lábios desceram pelo pescoço dela, trilhando um caminho pelo colo, mordiscando levemente a clavícula, fazendo Sofie se contorcer, o contato da língua dele contra sua pele sensível era uma tortura deliciosa. Os dedos de Philip deslizaram pela camisola, ele a retirou deixando-a nua, foi descendo as mãos pelas coxas dela, tateando a umidade que o simples cheiro dele já provocava. Ele beijou sua barriga, foi subindo lambendo os seios dela.

Em um movimento rápido, ele a sentou no sofá novamente, mas desta vez, Philip ficou de joelhos no tapete, bem em frente a ela. Seus olhos escuros perfuraram os de Sofie. Ele afastou as pernas dela e colocou os lábios entre elas, encontrando o centro de seu prazer com uma precisão devastadora. Sofie jogou a cabeça para trás, segurando o encosto do sofá com força, as unhas cravando-se no tecido. Gemidos roucos e descompassados escapavam de sua garganta, sentindo apenas o calor

da boca dele, a textura da língua e a intensidade de um prazer que a fazia sentir-se viva de um jeito que nunca imaginou ser possível.

— Eu te quero tanto, Philip. Mais do que qualquer coisa. — Sofie disse entre um gemido e outro, a mente nublada pela luxúria.

— Eu também te quero muito, Sofie — disse ele entre as pernas dela. — Deixa eu fazer em você também. Sofie disse, olhando para baixo.

Ele parou de lambê-la por um breve segundo, levantando o rosto. Seus lábios estavam úmidos e vermelhos, a expressão carregada de desejo.

— Hoje, só eu te dou prazer, Sofie — ele disse, com um tom de comando absoluto, antes de voltar ao que estava fazendo.

Após fazê-la chegar ao ápice mais uma vez, seu corpo sacudindo em espasmos de puro deleite, Philip a pegou no colo novamente. Eles foram se beijando pelo corredor do apartamento, uma trilha de peças de roupa, a camisa dele, a calça, marcando o caminho até o quarto principal. No quarto tocava Obsession - Perfectly Imperfekt. Ele a jogou na cama de casal, os lençóis brancos parecendo um altar para o sacrifício que estava prestes a acontecer. Philip se deitou por cima dela, alinhando seus corpos. Quando ele se encaixou dentro dela, preenchendo-a por completo, gemeram juntos, um som de prazer e posse. O ritmo começou lento, deliberado, quase cruel. Cada movimento era uma pergunta sem resposta. Ele não tirava os olhos dela, e ela deixava, desafiava, ardia sob aquele olhar como quem sabe que está perdendo e não quer ser salva.

Havia algo de insuportável naquele prazer, era algo que nenhum dos dois conseguia explicar. O olhar de Philip estava fixo no de Sofie, uma carícia mais profunda do que o toque físico.

— Você é a minha cura, Sofie. A única coisa real em meio a tanta mentira. — Disse ele, acelerando o ritmo.

— E você é a minha, Philip. — Sofie respondeu, gemendo com os lábios próximos aos dele.

O movimento tornou-se mais vigoroso, intenso, como se o tempo estivesse acabando e os corpos soubessem disso antes deles. A respiração de ambos saía curta, descompassada, roubada.

Sofie cravou as unhas nas costas dele, como quem agarra a beirada de algo que está escorregando. Philip sentiu o ardor da pele rasgada e não recuou. A beijou, e então ele parou novamente. Sofie ficou apreensiva de que ele fugiria novamente. Segurou o rosto dela com as duas mãos, o peito subindo e descendo como após uma batalha, os olhos percorrendo cada detalhe dela como se estivesse memorizando ou se despedindo, ele mesmo não saberia dizer. Ela o olhava fixamente com a respiração ofegante e o medo do que estava para acontecer no meio de toda aquela excitação.

— Eu te amo, Sofie. Eu te amo tanto que sinto que vou quebrar se não te tiver por inteiro, disse Philip, entregando-se àquele ato de adoração, sentindo o corpo dela tremer sob sua confissão. — Eu não fugi de você ontem... eu fugi do medo de te amar demais e te destruir com a minha bagunça. Mas hoje... Ele colou a testa na dela, a respiração errática misturando-se à dela. — Hoje eu aceito o risco de sermos cinzas amanhã.

Os olhos de Sofie se inundaram de um alívio corrosivo que queimava. Ela levou as mãos ao rosto dele, sentindo a textura da barba: — Então me destrua, Philip — ela sussurrou, a voz embargada, mas firme como nunca. — Porque eu te amo de um jeito que nenhuma ciência consegue explicar. Eu sou sua, completamente sua.

O sorriso que surgiu nos lábios dele foi absolutamente malicioso, o tipo de expressão de quem finalmente recebeu as chaves do paraíso e pretende incendiar o lugar. O que aconteceu depois não teve nada de gentil. Foi uma colisão, como uma confissão arrancada sob tortura e intenso como o primeiro fôlego de um afogado. Sofie o envolvia com uma sede desesperada, seus braços eram correntes, suas pernas se prendiam ao quadril dele como se quisessem fundir duas existências em uma só. Suas unhas marcavam o caminho das tatuagens dele, gravando nela a propriedade que ele já exercia sobre seu corpo. Philip respondeu com a força de quem não precisava mais se conter. Cada movimento, cada toque bruto, carregava o peso dos meses de silêncio, das noites em claro no hospital e do desejo proibido que quase os enlouqueceu.

Ele a possuía como quem reclama um território sagrado, e ela o recebia como quem finalmente encontra a sua perdição favorita. Ele a olhava como se não houvesse mais nada no mundo que valesse a pena olhar. Foram se devorando cada vez mais, a respiração de Sofie quebrou primeiro. Philip a segurou mais forte, enterrou o rosto no pescoço dela e deixou ir, chegando juntos ao ápice, uma explosão de luz e carne. Depois, o peso dos corpos. O calor e a respiração voltam devagar. Sofie

virou o rosto e encontrou os olhos dele ainda abertos, ainda nela. Nenhum dos dois precisou dizer mais nada.

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