Rondó 1 - Anacreonte
De teu canto a graça pura, E a ternura não consigo; Pois comigo a doce'lyra Mal respira òs sons de amor. Quando as cordas lhe mudaste, O' feliz Anacreonte, Da Meónia viva fonte Esgotaste o claro humor. O ruido lisongeiro Dessas agòas não escuto, Onde geme dado a Plulo , O grosseiro habitador. De teu canto a graça pura, E a ternura não consigo; Pois comigo a doce lyra Mal respira os sons de amor. Neste bosque desgraçado Mora o ódio, e vil se nutre Magra inveja, negro abutre Esfaimado e tragador. Não excita meus affectos Gnido, Paphos, nem Cythéra : Vejo a serpe, ouço a panthéra. Oh que objectos de terror 1 De teu canto a graça pura, E a ternura não consigo ; Pois comigo a doce lyra Mal respira os sons de amor. Cruel setta passadora Me consome pouco a pouco, E no peito frio e rouco A alma chora, è cresce a dôr. Surda morte nestes ares Enlutada, e triste vejo, E se entrega o meu desejo Dos prazeres ao rigor. De teu canto a graça pura, E a ternura não consigo; Pois comigo a doce lyra Mal respira os sons de amor. Dos heróes te despediste, Por quem musa eterna sôa; Mas de flores na coroa Inda existe o teu louvor. De agradar-te sou contente-: Sacro loiro não me inflamma : Da mangueira (1) a nova rama Orne a frente do pastor. De teu canto a graça pura, E a ternura não consigo; Pois comigo a doce lyra Mal respira os sons de amor.