Rondó 2 - A Luz do Sol
Luz do sol, quanto és formosa, Quem te goza não conhece; Mas se desce a noite fria, Principia a suspirar. Quando puro se derrama Vivo ardor no ameno prado, Pelas brenhas foge o gado Verde rama a procurar. E se o astro luminoso Deixa tudo em sombra fusca Triste então o abrigo busca Vagaroso a ruminar, Luz do sol, quanto és formosa,, Quem te goza não conhece; Mas se desce a noite fria, Principia a suspirar. Lavrador, que afflicto e velho, Sobre o campo endurecido, Ver deseja sobmergido O vermelho sol no mar. E se o humido negrume Tolda os céos, e os valles banha, Fita os olhos na montanha, Onde o lume vê raiar. Luz do sol, quanto és formosa, Quem te goza não conhece; Mas se desce a noite fria, Principia a suspirar. Pela tarde mais ardente O pastor estima as grutas, Onde penhas nunca enxutas Vê contente gotejar. E se as trevas no horizonte Desenrolão negro manto, Com saudoso e flebil canto Faz o monte resonan Luz do sol, quanto és formosa, Quem te goza não conhece; Mas se desce a noite fria, Principia a suspirar. Assim Glaura, que inflammada Perseguio aves ligeiras, Quer á sombra das mangueiras Descançada respirar. Entre risos, entre amores, Se lhe falta o dia, chora, E vem cedo a ver a aurora Sobre as flores orvalhar. Luz do sol, como és formosa, Quem te goza não conhece; Mas se desce a noite fria, Principia a suspirar.