Rondó 3 - O Cajueiro Glaura: poemas eróticos · Capítulo 4 de 122
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Rondó 3 - O Cajueiro

Cajueiro desgraçado, A que fado te entregaste, Pois brotaste em terra dura Sem cultura e sem senhor! No teu tronco pela tarde, Quando a luz no céo desmaia, O novilho a testa ensaia, Faz alarde do valor. Para fructos não concorre Este valle ingrato e secco; Um se enruga murcho e peco, Outro morre ainda em flor. II. 6 Cajueiro desgraçado, A que fado te entregaste, Pois brotaste em terra dura Sem cultura e sem senhor! Vês nos outros rama bella, Que a Pomóna por tributos Offerece doces fructos De amarella e rubra còr? Ser copado, ser florente Vem da terra preciosa; Vem da mão industriosa Do prudente agricultor. Cajueiro desgraçado, A que fado te entregaste, Pois brotaste em terra dura Sem cultura e sem senhor! Fresco orvalho os mais sustenta Sem temer o sol activo; Só ao triste semivivo Não alenta o doce humor. Curta folha mal te veste Na estação do lindo agosto, E te deixa nú, e exposto Ao celeste intenso ardor, Cajueiro desgraçado, A que fado te entregaste, Pois brotaste em terra dura, Sem cultura e sem senhor! Mas se estéril te arruinas, Por destino te conservas, E pendente sobre as hervas Mudo ensinas ao pastor. Que a fortuna é quem exalta, Quem humilha o nobre engenho : Que não vale humano empenho, Se lhe falta o seu favor. Cajueiro desgraçado, A que fado te entregaste, Pois brotaste em terra dura Sem cultura e sem senhor!

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