Rondó 5 - A Serpente Glaura: poemas eróticos · Capítulo 6 de 122
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Rondó 5 - A Serpente

Verde cedro, verde arbusto, Que o meu susto e prazer vistes, Vamos tristes na memória Essa historia renovar. Este o valle, é esta a fonte : Glaura achei aqui dormindo ; Sonha alegre e se está rindo, E eu defronte a suspirar. Junto delia pavoroso, Vi, oh céosí monstro enrolado, Fero, enorme, atroz, manchado, E escamoso seintillar. Verde cedro, verde arbusto, Que o meu susto e prazer vistes, Vamos tristes na memória Essa historia renovar. Ardo, e tremo, e louco amante Mil horrores n'alma pinto : Vou... receio... ah que me sinto Vacilante desmaiar. Vence amor : doce ternura! Tomo a ninfa nos meus braços : Elle aperta os novos laços, E assegura o triunfar. Verde cedro, verde arbusto, Que o meu susto e prazer vistes, Vamos tristes na memória Essa gloria renovar. Em si mesma se embaraça A serpente enfurecida; Ergue o collo e atrevida Ameaça a terra e o ar. N' uma pedra rude e feia Já lhe envio a morte affoita; Já co' a cauda o tronco açoita, Morde a areia ao espirar. Verde cedro, verde arbusto, Que o meu susto e prazer vistes, Vamos tristes na memória Essa historia renovar. Venturoso e satisfeito, « — Glaura bella, então dizia, Vê de amor e de alegria O meu peito palpitar. » Ella em mim buscando arrimo, Cora, e diz inda assustada : « — Esse puro ardor me agrada, Eu te estimo e te hei de amar. » Verde cedro, verde arbusto, Que o meu susto e prazer vistes, Vamos tristes na memória Essa historia renovar.

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