Rondó 6 - A Praia
Quem por ti de amor desmaia, Nesta praia geme e chora; Vem, pastora, por piedade A saudade consolar. Não recreão sempre os montes Co' as delicias de Amalthea; Vem, ó Glaura, a ruiva arêa, Rio e fontes animar. Ninfa ingrata, não te escondas; Teme os ásperos abrolhos; E com teus serenos olhos Vem as ondas acalmar. — 107 — * Quem por ti de amor desmaia, Nesta praia geme e chora; Vem, pastora, por piedade A saudade consolar. Mergulhão verás ligeiro, Como cahe precipitado, E o peixinho prateado Leva inteiro a devorar. Vem, cruel, não te detenhas, Não me roubes a ventura; Vem, que já com mais brandura Estas penhas lava o mar. Quem por li de amor desmaia, Nesta praia geme e chora; Vem, pastora, por piedade A saudade consolar. Num rochedo vi dois ninhos; Já são teus esses penhores; E entre conchas, entre flores Os pombinhos has de achar. Murcharão os dons mais bellos Da suave primavera, Se não vens, ó dura, ó fera, Teus cabellos enlaçar, — 108 - Quem por ti de amor desmaia, Nesta praia^geme e chora; Vem, pastora, por piedade A saudade consolar. Vem a ver este remanso, Estas arvores sombrias, Onde, ai triste! ai longos dias, Não descanço de- esperar! Se o amar te foi delicto, E te agrada o meu tormento,; Vem ouvir o meu lamento, Meu afflicto suspirar. Quem por ti de amor desmaia, Nesta praia geme e chora; Vem, pastora, por piedade A saudade consolar. Vil