Rondó 7 - O Beija-Flor Glaura: poemas eróticos · Capítulo 8 de 122
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Rondó 7 - O Beija-Flor

Deixo, ó Glaura, a triste, lida Submergida em doce calma; E a minha almáao bem se entrega, Que lhe nega o teu rigor. Neste bosque alegre e rindo Sou amante afortunado; E desejo ser mudado No mais lindo beijaflor. Todo o corpo n'uni instante Se atenua, exhala e perde : É já de oiro, prata e verde A brilhante e nova côr. II. — 11O — Deixo, ó Glaura, a triste lida Submergida em doce calma; E a minha alma ao bem se entrega, Que lhe nega o teu rigor. Vejo as pennas e a figura, Provo as azas, dando gyros; Acompanhão-me os suspiros, E a ternura do pastor. E n'um vôo feliz ave Chego intrépido até onde Riso e pérolas esconde O suave e puro amor. Deixo, ó Glaura, a triste lida Submergida em doce calma; E a minha alma ao bem se entrega, Que lhe nega o teu rigor. Toco o nectar precioso, Que a morta es não se permitte; E o insulto sem limite, Mas ditoso o meu ardor; Já me chamas atrevido, Já me prendes no regaço : Não me assusta o terno laço, É fingido o meu temor. Deixo, ó Glaura, a triste lida Submergida em doce calma; E"a minha alma ao bem se entrega, Que lhe nega o teu rigor. Se disfarças os meus erros, E me soltas por piedade; Não estimo a liberdade, Busco os ferros por favor : Não me julgues innocente, Nem abrandes meu castigo : Que sou bárbaro inimigo, Insolente e roubador. Deixo, ó Glaura, a triste lida Submergida em doce calma; E a minha alma ao bem se entrega, Que lhe nega o teu rigor.

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