Rondó 8 - A Lembrança Saudosa Glaura: poemas eróticos · Capítulo 9 de 122
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Rondó 8 - A Lembrança Saudosa

Conservai, musgosas penhas, Nestas brenhas minha gloria; E a memória que inda existe, Torne um triste a consolar. Repousavas, Glaura, um dia Neste leito de verdura, E esta fonte bella e pura Mal se ouvia murmurar. Eu vi zefiro saudoso, Pelas ninfas conduzido, Sobre as azas suspendido Amoroso respirar. Conservai, musgosas penhas, Nestas brenhas minha gloria; E a memória que inda existe, Torne um triste a consolar. Vi mil cândidos amores, E mil risos namorados, Da mangueira pendurados Lindas flores desfolhar. Os hirsutos faunos broncos, A quem move tal portento, Reprimindo o tardo alento Pelos, troncos vi trepar. Conservai, musgosas penhas, Nestas brenhas minha gloria, E a memória que inda existe, Torne um triste a consolar. Deo-me o prado florecente Goivos, murta, roza e lyrio; Venho, ó ninfa, em meu delírio Tua frente a coroar. Se/n rumor com susto chego... Gela o sangue... já não pulsa, Nem se atreve a mão convulsa Teu socego a perturbar. Conservai, musgosas penhas, Nestas brenhas minha gloria; E a memória que inda existe, Torne um triste a consolar. De ternura, amor e gosto Entre o tímido embaraço, Fiquei mudo longo espaço No teu rosto a contemplar. Mas as lagrimas poderão Illudir o meu receio, E cahindo no teu seio Te fizerão despertar. Conservai, musgosas penhas, Nestas brenhas minha gloria ; E a memória que inda existe, Torne um triste a consolar.

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