Rondó 10 - O Amante Infeliz
Glaura! Glaura! Não respondes? E te escondes n'estas brenhas? Dou ás penhas meu lamento ; O' tormento sem igual! Ao amor cruel e esquivo Entreguei minha esperança, Que me pinta na lembrança Mais activo o fero mal. Não verás em peito amante Coração de mais ternura,; Nem que guarde fé mais pura, Mais constante e mais leal. Glaura! Glaura! Não respondes? E te escondes nestas brenhas ? Dou ás penhas meu lamento; O' tormento sem igual! Se não vens, porque te chamo; Aqui deixo junto ao rio Estas pérolas num fio, Este ramo de coral. Entre a murta que se enlaça Com as flores mais mimosas, Acharás purpureas rosas Numa taça de cristal. Glaura! Glaura! Não respondes? E te escondes nestas brenhas ? Dou ás penhas meu lamento; O' tormento sem igual! Vejo turvo o claro dia; Sombra feia me acompanha ; Não encontro na montanha A alegria natural. Tanto a magoa me importuna, Que o viver já me aborrece; Para um triste? que padece, É fortuna o ser mortal. — 12O — Glaura! Glaura! Não respondes? E te escondes n'estas brenhas ? Dou ás penhas meu lamento ; O' tormento sem igual! 'o' Onde estou? troveja... o raio... Foge a luz... os arvoredos... Abalados os rochedos... Já desmaio... ó dôr fatal. Ninfa ingrata, esta victoria Alcançarão teus retiros; Leva os últimos suspiros Por memória triunfal. Glaura! Glaura! Não respondes? E te escondesn'estas brenhas? Dou ás penhas meu lamento ; O' tormento sem igual.