Rondó 16 - A Pomba Glaura: poemas eróticos · Capítulo 17 de 122
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Rondó 16 - A Pomba

POMBO. Bella pomba, os dias crescem, Apparecem já mil flores, E os penhores ver espero Do sincero nosso amor. PASTOR. Oh feliz enamorado, Como és livre da desgraça! D'hora em hora mais te enlaça Doce agrado e novo ardor. A consorte (que ventura!) Acompanhas meigo e rico; Que ás pallinhas no teu bico A ternura dá valor. POMBO. Bella pomba, os dias crescem; Apparecem já mil flores, E os penhores ver espero Do sincero nosso amor. PASTOR. Preciosa lealdade Sem repúdios, sem queixumes, Sem desgostos, nem ciúmes, Nem saudade, nem lemor! A fortuna te proteja, Apartando os tristes lutos : Teus implumes tenros fructos Nunca veja o caçador. POMBO. Cara pomba, os dias crescem: Apparecem já mil flores, E os penhores ver espero Do sincero nosso amor. PASTOR. Na mangueira fazem ninho : Vês, ó Glaura, lá voltarão; Forão juntos, e pousarão No raminho superior. Elles tornão : par ditoso! Dize, áninfa; não te agrada Ver a pomba acompanhada Do amoroso rolador? POMBO. Bella pomba, os dias crescem; Apparecem já mil flores, E os penhores ver espero Do sincero nosso amor.

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