Rondó 19 - O Retrato Glaura: poemas eróticos · Capítulo 20 de 122
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Rondó 19 - O Retrato

Tem, ó Glaura, o teu retrato Peito ingrato e lindo rosto, Que por gosto amor espera Em Cythéra eternizar. Só adorna os teus cabellos Verde fitta, em que os enlaças; E o jasmim, que as puras graças Com desvelos vão buscar. Na alva testa entre a alegria,' E a feliz serenidade, Não diviso a crueldade, Que porfía em maltratar. Tem, ó Glaura, o teu retrato Peito ingrato e lindo rosto, Que por gosto amor espera Em Cythéra eternizar. Os teus olhos... Ah! não pinto. Os teus olhos tudo rendem : Da ternura o fogo accendem, E me sinto desmaiar. Tua face delicada É mais bella do que a rosa, Quando a purpura mimosa Orvalhada expõe ao ar. Tem,' ó Glaura, o teu retrato Peito ingrato e lindo rosto, Que por gosto amor espera Em Cythéra eternizar. Doce o riso não ertcobre Mil agrados innocentes: Mostra as pérolas luzentes, Que descobre o respirar. Não se apartão do teu seio Dois amores pequeninos, Tão cruéis e tão ferinos, Que receio de os pintar. Tem, ó Glaura, o teu retrato Peito ingrato e lindo rosto, Que por gosto amor espera Em Cythéra eternizar. Tristes e ásperos rigores Na tua alma se esconderão, E implacáveis promettêrão Minhas dores augmentar. Tudo o mais é formosura, São bellezas, que não vejo; E nem pócfe o meu desejo Na pintura debuxar. Tem, ó Glaura, o teu retrato Peito ingrato e lindo rosto, Que por gosto amor espera Em Cythéra eternizar.

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