Rondó 20 - A Cincta de Venus Glaura: poemas eróticos · Capítulo 21 de 122
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Rondó 20 - A Cincta de Venus

Cahe a cincta aVenus bella, Sem cautela recostada; E turbada entre os pezares Pede aos mares que lha dêm. O thesoiro se procura, Os desejos se interessão, Os cuidados já se appressão, E a ternura vai também. Empenhou-se, ó Glaura, o zelo; Mas em vão : que perda triste! Só eu vi, sei onde existe; E dizel-o^não convém. v — 139 — Cahe a cincta a Venus bella, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lha dêm. Roubador do puro ornato Foi Antéro e foi Cupido; E o levarão escondido Com recato, eu sei a quem. Receosos pelo insulto, Que traidores commettèrão, No teu seio se acolherão, Onde occulto asilo tem. Cahe a cincta a Venus bella, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lha dêm. Dos meus olhos não se escondem Os meninos, a quem amo : Se os procuro, espreito e chamo, Correspondem, mas não vêm. Com acenos expressivos De alegria suspeitosa Mostrão faxa preciosa, Que attractivos mil contém. — 14O — Cahe a cincta a Venus bella, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lha dêm. Se piedade affiicto rogo, E que cessem teus rigores, Ah cruéis, lindos amores! Fogem logo e com desdém. Abrandal-os não consigo, E já d'elles tenho medo : Guarda, ninfa, este segredo, Que não digo a mais ninguém. Cahe a cincta a Venus bella, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lha dêm.

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