Rondó 21 - Doris e Galatéa Glaura: poemas eróticos · Capítulo 22 de 122
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Rondó 21 - Doris e Galatéa

Glaura bella, o sol desmaia; Esta praia te convida : Vem dar vida ao desgraçado, Já cançado de chorar. Ouço ao longe o instrumento, Que tritão nadando emboca : Verde carro as penhas toca, Dorme o vento, e dorme o mar. D'alvos peixes o cardume Acompanha venturoso, E o delfim terno e piedoso, Que presume enamorar. Glaura bella, o sol desmaia : Esta praia te convida : Vem dar vida ao desgraçado, Já cançado de chorar. Doris vejo, e Galatéa, Que por ti de,amor se'inflamão; Glaura esperão, Glaura chamão Sobre a arêa a suspirar; Destes valles só responde Com voz terna e lagrimosa Ninfa triste, em vão saudosa, Que se esconde e muda em ar. Glaura bella, o sol desmaia : Esta praia te convida : Vem dar vida ao desgraçado, Já cançado de chorar. Se te alegra a fonte pura No rigor do estío ardente; D'esta plácida corrente A frescura vem gosar; Ouvirás os arvoredos, De meu pranto condoídos, Repetir os meus gemidos, E os rochedos abrandar. Glaura bella, o sol desmaia : Esta praia te convida : Vem dar vida ao desgraçado, Já cançado de chorar. Onde estás? Vê que os amores Já nas a'guas apparecem, E entre pérolas te offerecem Meus ardores, meu pezar; Ah! tu vens... quanto é modesto Teu prazer, teu lindo rosto! Ai de mim ! ó falso gosto! O' funesto delirar! Glaura bella, o sol desmaia : Esta praia te convida: Vem dar vida ao desgraçado, Já cançado de chorar.

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