Rondó 22 - A Aurora
Vem, ó nympha suspirada, Engraçada e rubicunda, Da fecunda natureza A belleza a contemplar. Longas azas sacodindo, Foge a noite escura e fria; Que sereno o claro dia Surge rindo e deixa o mar : De Titão a terna esposa Veste os céos co' as lindas cores, E o seu pranto sobre as flores Quer saudosa derramar. Vem, ó ninfa suspirada, Engraçada e rubicunda, Da fecunda natureza A belleza a contemplar. Roxa nuvem circulando Pouco a pouco se illumina; A purpurea e crystalina Fluctuando não tem par; Esta faxa longa e verde Muda a côr de instante a instante: Esta azul é mais constante, E não perde o seu brilhar.. Vem, ó ninfa suspirada, Engraçada e rubicunda, Da fecunda natureza A belleza a contemplar. Cresce a luz pelo horisonte, Abre o sol o seu thesoiro ; E movendo o carro de oiro, Já Ethonle inflama o ar. Puro globo refulgente, Que veloz se aparta e gyra, Vejo em campo desaphira Transparente scintillar. II. Vem, ó ninfa suspirada, Engraçada e rubicunda, Da fecunda natureza A belleza a contemplar. Admirando o rico adorno Do aprasivel firmamento, Trégoas dei a meu tormento, Mas já torno a delirar. Assim, Glaura, me desvio Do meu mal, quando apparecès, E mimosa á fonte desces Para o rio enamorar. Vem, ó ninfa suspirada, Engraçada e rubicunda, Da fecunda natureza A belleza a contemplar.