Rondó 23 - O Meio Dia Glaura: poemas eróticos · Capítulo 24 de 122
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Rondó 23 - O Meio Dia

Glaura, as ninfas te chamarão, E buscarão doce abrigo : Vem comigo, e n'esta gruta Branda escuta o meu amor. Treme agora o ar extenso Pela esfera crystalina; Que os seus raios não declina Esse immenso resplandor. Busca o toiro fatigado Frias sombras, verde relva : Co' a cigarra zune a selva, Foge o gado e o pastor. — 148 w Glaura, as ninfas te chamarão, E buscarão doce abrigo : Vem comigo, e n'esta gruta Branda escuta o meu amor. Ferve a arêa d'esta praia, Arde o musgo no rochedo, Esmorece ó arvoredo, E desmaia a tenra flor : Todo o campo se desgosta, Tudo... ah ! tudo a calma sente: Só a gélida serpente Dorme exposta ao vivo ardor. Glaura, as ninfas te chamarão, E buscarão doce abrigo : Vem comigo, e n'esta gruta Branda escuta o meu amor. Vês a plebe namorada De volantes borboletas? Loiras"são, e azues e pretas, De mesclada e vária côr. Aquella ave enternecida, Que cantou ao ver a aurora, Abre as azas, geme agora Opprimida do calor. Glaura, as ninfas te chamarão, E buscarão doce abrigo : Vem comigo, e n'esta gruta Branda escuta o meu amor. Fonte aqui não se despenha Com ruído que entristece : Gota a gota a lympha desce, Lava a penha sem rumor. Aqui vive preciosa Escondida amenidade, O segredo e a saudade E a chorosa minha dôr. Glaura, as ninfas te chamarão, E buscarão doce abrigo : Vem comigo, e n'esta gruta Branda escuta o meu amor.

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