Rondó 25 - A Noite Glaura: poemas eróticos · Capítulo 26 de 122
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Rondó 25 - A Noite

Ouve, ó Glaura, o som da lyra, Que suspira lagrimosa, Amorosa em noite escura, Sem ventura, nem prazer. Já cahio do opposto monte Sombra espessa n'estes valles; Ouço aos echos de meus males Esta fonte responder. São iguaes a praia, a serra : D' uma côr o bosque, o prado : Triste o ar, feio, enlutado Vem a terra escurecer. Ouve, ó Glaura, o som da lyra, Que suspira lagrimosa, Amorosa em noite escura, * Sem ventura, nem prazer. Melancólico agoireiro Solta a vóz mocho faminto, E o vampir (2) de sangue tinto, Que é ligeiro em se esconder. Vôa a densa escuridade, O süencio, horror e espanto : E as correntes do meu pranto A saudade faz verter. Ouve, ó Glaura, o som da lyra, Que suspira lagrimosa, Amorosa em noite escura, Sem ventura, nem prazer. Tem a noite surda e fera Carro de ebano polido : Move o sceptro denegrido, Toda a esfera vê tremer. Fôrma o tímido desgosto Mil imagens da tristeza, Que assustada a natureza Volta o rosto por não ver. Ouve, ó Glaura, o solfi da lyra, Que suspira lagrimosa, Amorosa em noite escura, Sem ventura, nem prazer. Ao ruído d'estas agoas Vinde, ó sonhos voadores, De Morfeo co' as tenras flores Minhas magoas suspender. Mas se amor alívios nega, Quando o peito mais inflama : Só aquelle, que não ama, É que chega a adormecer. Ouve, ó Glaura, o som da lyra, Que suspira lagrimosa, Amorosa em noite escura, Sem ventura, nem prazer.

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