Rondó 26 - Os Amores Perdidos
Louco amante e sem ventura, De ternura suspirando, Vou buscando entre estas flores Os amores que perdi. Não me engana o meu receio : Tu, ó ninfa, os occultaste, Ou no seio os affogaste, No teu seio, onde eii os vi. Ah cruel! tuafereza Rigorosa os opprimia : Meu prazer desde esse dia Em tristeza converti. Louco amante e sem ventura, De ternura suspirando, Vou buscando entre estas flores Os amores que perdi. Com temor e com saudade Se escondião... que tormento! Fui sensível ao lamento; Por piedade os recolhi. . Roxa fêlpa mal mostravão Suas azas inda implumes : Justos erão seus queixumes, E choravão só por ti. Louco amante e sem ventura, De ternura suspirando, Vou buscando entre estas flores Os amores que perdi. Nem co' a vista d'estes valles Ao surgir purpurea aurora, Nem c'os dons da alegre Flora Os seus males diverti. Ao correr das frias agoas Por costume os ais escuto, Ai de mim! qual foi o fruto Dessas magoas que soffri ? Louco amante e sem ventura, De ternura suspirando, Vou buscando entre estas flores Os amores que perdi. No meu peito já crescidos Uma tarde repousarão : Suas lagrimas cessarão, Eos gemidos não senti. Foi então, ó Glaura bella, Foi então que me fugirão : Eu clamei e não me ouvirão ! ímpia estrella em que nasci! Louco amante e sem ventura, De ternura suspirando, Vou buscando entre estas flores Os amores que perdi.