Rondó 32 - Dezembro Glaura: poemas eróticos · Capítulo 33 de 122
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Rondó 32 - Dezembro

Já dezembro mais calmoso Perguiçoso o giro inclina : Illumina o céo rotundo, Quer o mundo incendiar. Vem, pastora; aqui te esperão Os prazeres d'este rio ; Onde o sol e o secco estío Não poderão penetrar. Nuas graças te preparão A conchinha transparente, O coral rubro e luzente, Que buscarão sobre o mar. — 17à — Já dezembro mais calmoso Perguiçoso o giro inclina : Illumina o céo rotundo, Quer o mundo incendiar. Entre os mismos e a frescura, Entre as sombras e entre as agoas, Do pastor as tristes magoas, E a ternura has de encontrar. Pelo golfo curvo e largo Apparece a deosa bella : Ora a vaga se encapella, Ora o pargo surge ao ar. Já dezembro mais calmoso Perguiçoso o giro inclina : Illumina o céo rotundo, Quero mundo incendiar. De me ouvir ao som desta aura, Que menea os arvoredos, Aprenderão os rochedos « Glaura, Glaura! » a suspirar. Oh que doce amenidade! Loiras dryades se ajuntão : Por teus olhos me perguntão Com saudade e sem cessar. Já dezembro mais calmoso Perguiçoso o giro inclina : Illumina o céo rotundo, Quer o mundo incendiar. Ah cruel I porque não vamos Colher mangas preciosas, Que promettem venturosas Os seus ramos encurvar? Se no abrigo d'estes prados Não achares lindas flores, Acharás os meus amores Desgraçados a chorar. Já dezembro mais calmoso, Perguiçoso o giro inclina : Illumina o céo rotundo, Quer o mundo incendiar.

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