Rondó 33 - Amor Mudado Em Abelha Glaura: poemas eróticos · Capítulo 34 de 122
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Rondó 33 - Amor Mudado Em Abelha

Tem o amor mil passadores Entre as flores d'este prado, E mudado em leve abelha, Se aparelha e já voou. Implacável não descança, E eu, ó ninfa, bem receio, Que elle empregue no teu seio A vingança que jurou. Sahe do nectar d'uma rosa... Ah que abelha tão ferina! Mal a vejo, e pequenina, E raivosa me picou. Tem o amor mil passadores Entre as flores d'este prado, E mudado em leve abelha, Se aparelha e já voou„ Não ha dôr que mais inflame; Infeliz! que em vivo fogo Esmaguei a abelha, e logo N'um enxame se tornou! Fui crivado de seus tiros: Vi turbar-se o céo sereno; E o mortífero veneno Em suspiros me afogou. Tem o amor mil passadores Entre as flores d'este prado, E mudado em leve abelha Se aparelha e já voou. Ai de mim, que desventura! Que cruel melancolia! Foge a paz, foge a alegria. Que amarguras me deixou! Solitário e pensativo, Esmoreço n'estes valles; E o auctor de tantos males Vingativo se alegrou! Tem o amor mil passadores Entre as flores d'cste prado, E mudado em leve abelha Se aparelha e já voou. Linda Glaura, não duvides Que o meu peito afflicto sente Do centauro o sangue ardente, Com que Alcides se abrasou. Sem cessar na intensa fragoa Cresce o misero desgosto : Só ao ver teu bello rosto Minha mágoa se abrandou.^ Tem o amor mil passadores Entre as flores d'este prado, E mudado em leve abelha Se aparelha e já voou.

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