Rondó 38 - O Cajueiro
Vem, ó ninfa, ao cajueiro, Que no oiteiro desprezamos; Que em seus ramos tortuosos Amorosos fructos dá. Sc desejas a frescura, O seu tronco te convida, E entre as folhas escondida Aura pura e doce está. Inda a mão do estio ardente Não crestou no.campo as flores: Vem, que a deosa dos amores Tua frente adornará. li. — 19O — Vem, ó ninfa, ao cajueiro, Que no oitero desprezamos, Que em seus ramos tortuosos Amorosos fructos dá. Lá chorando e namorada Hamadryade te acena : Sem soccorro em sua pena Desmaiada ficará. Vem, consola por piedade Os seus miseros gemidos, E os seus áis, que enternecidos De saudade morrem já. Vem, ónympha, ao cajueiro, Que no oiteiro desprezamos, Que em seus ramos tortuosos Amorosos fructos dá. Nellc vio feliz minha alma Triunfar'o amore a gloria; E em signal d'esta victoria Verde palma crescerá. Vôa triste o meu martyrio, E de longe turba os ares : Semeei cruéis pezares Bôxo lyrio nascerá. Vem, ó ninfa, ao cajueiro, Que no oiteiro desprezamos, Que em seus ramos tortuosos Amorosos fructos dá. Vem tecer uma capella Ao amor que nos inspira; E na voz da curva lyra « GLAURA! » bella soará. Vês o amor e não o entendes? Tem oceulto alli seu ninho; E te diz que é passarinho; Se o não prendes, voará. Vem, ó ninfa, ao cajueiro, Que no oiteiro desprezamos, Que em seus ramos tortuosos Amorosos fructos dá.