Rondó 43 - O Desgosto Glaura: poemas eróticos · Capítulo 44 de 122
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Rondó 43 - O Desgosto

Sc piedade-, o Glaura, sentes,, Não augmentes meu desgosto : O teu rosto não me oceultes, Não insultes meu penar. A meus ais responde a brenha, A meus ais enternecidos; Inda vem os meus gemidos - N'esla penha redobrar. Só resiste a minhas dores Esse peito ingrato e fero; Infeliz! que cm vão espero Teus rigores abrandar. Sc piedade, ó Glaura, sentes, Não augmentes meu desgosto : O teu rosto não me ocultes, Não insultes meu penar. Doire os céos a luz brilhante; Tudo offusque a sombra escura, Has de ver-me sem ventura Triste amante a suspirar. Ah cruel! c assim me deixas N'este bárbaro tormento? Minhas magoas, meu lamento, Minhas queixas solto ao ar? Se piedade, ó Glaura, sentes, Não augmentes meu desgosto : O teu rosto não me oceultes, Não insultes meu penar. Já se apartão nevoaS frias, Ri-se o campo, ri-se a esfera : Torna a doce primavera... Oh que dias vão raiar! Ai de mim! que não consigo Nem prazeres, nem descanço : Foge o bem e não alcanço, Vai comigo o meu pezar. Se piedade, ó Glaura, sentes, Não augmentes meu desgosto: O teu rosto não me oceultes, Não insultes meu penar. Pensativo entre estas faias, Aborreço o valle^ os montes : Não me alegrão sombras, fontes, Nem as praias, nem o mar. O meu canto não respira Na aspereza d'estas grutas; Mas se tu me não escutas, Fique a lyra exposta ao ar. Se piedade, ó Glaura, sentes, Não augmentes meu desgosto: O teu rosto não me oceultes, Não insultes meu penar.

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