Rondó 44 - A Primavera Glaura: poemas eróticos · Capítulo 45 de 122
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Rondó 44 - A Primavera

Vem, ó doce primavera; Já te espera a minha amada; Não agrada triste inverno A meu terno e brando amor. Negras nuvens amontoa O chuvoso sud-oeste; Move a cólera celeste, Tudo atrôa o seu furor. Geme e em serras levantado Bate o mar na rocha dura : Perde o rumo sem ventura Soco brado o pescador. — 20O — Vem, ó doce primavera; Já te espera a minha amada; Não agrada triste inverno A meu terno e grande amor. Ameaça turvo o rio, Com estrondo a fonte desce; E no céo só apparece Euro frio estragador. Nem da flauta, nem cia lyra A sonora voz se escuta ; Solitária e feia a gruta Não inspira mais que horror! Vem, ó doce primavera; Já te espera a minha amada; Não agrada triste inverno A meu terno e brando amor. Glaura estima as bellas flores, Ama os zefiros suaves : Quer ouvir no campo as aves E os amores do pastor. Vejo dryade saudosa Na mangueira com desgosto, Por não ver seu lindo rosto, Que da rosa tem a côr. Vem, ó doce primavera; Já te espera a minha amada; Não agrada triste inverno A meu terno e brando amor. Traze a aurora scintillante, Que rompendo o véo escuro. Mostre a Glaura novo e puro Seu brilhante resplandor. Nos seus olhos rcsuscite D'estes montes a alegria; Crescerá de dia em dia Sem limite o meu ardor. Vem, ó doce primavera; Já te espera a minha amada; Não agrada triste inverno A meu terno e brando amor.

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