Rondó 45 - A Mangueira
Carinhosa e doce, ó Glaura, Vem esta aura lisongeira, E a mangueira já florida Nos convida a respirar. Sobre a relva o sol doirado Bebe as lagrimas da Aurora", E suave os dons de Flora Neste prado vê brotar. Ri-se a fonte : e bella e pura Sahe dos ásperos rochedos, Os pendentes arvoredos Com brandura a namorar. Carinhosa e doce, ó Glaura, Vem esta aura lisongeira*; E a mangueira já florida Nos convida a respirar. Com voz terna harmoniosa Canta alegre o passarinho^ Que defronte do seu ninho Vem a esposa consolar. Em festões os lyrios trazem... Ninfas, vinde... eu dou os braços; Apertai de amor os laços, Que me fazem suspirar. Carinhosa edocp, ó Glaura, Vem esta aura lisongeira; E a mangueira já florida Nos convida a respirar. Vês das graças o alvoroço? Ah prenderão entre flores Os meus tímidos amores, Que não posso desatar! Como os cobre o casto pejo I Mas os olhos innocentes Inda mostrão descontentes O deáejo de agradar. _ 204 — Carinhosa e doce, ó Glaura, Vem esta aura lisongeira; E a mangueira já florida Nos convida a respirar. Vagaroso e com saudade, Triste, languido e sombrio Verdes bosques lava o rio Sem vontade de os deixar. Ao prazer as horas demos Da estação mais opportuna; Que.estcs mimosdã fortuna Inda havemos de chorar. Carinhosa e doce, ó Glaura, Vem esta aura lisongeira; E a mangueira já florida . Nós convida a respirar.