Rondó 46 - A Rosa
Quanto, ó ninfa, é venturosa Essa rosa delicada! Invejada no teu peito, Satisfeito a vê o amor. Pedio Flora a natureza Ao vestir de novo os prados, Que esmerasse os seus cuidados Na belleza d'esta flor. Logo abrindo as azas leves Os favonios a ampararão : Nem as chuvas lhe tocarão, Nem das neves o rigor. Quanto, ó ninfa, é venturosa Essa rosa delicada! Invejada no teu peito Satisfeito a vê o amor! El]e foi Argos zeloso, Que a guardava noite e dia; E entre espinhos a escondia Do amoroso lavrador. Nova abelha por sensível D'esse nectar á doçura, Encontrou na setta dura O terrível seu furor. Quanto, ó ninfa, é venturosa Essa rosa delicada f Invejada no teu peito Satisfeito a vê o amor! Se no adorno ten se emprega, Vale mil e mil boninas; Mas se o seio lhe destinas» Nada chega ao seu valor. Eu lhe vejo um só desgostOj Que nas folhas mal encobre; Pois conhece que é mais nobre Do teu rosto a bella côr; Quanto, ó ninfa, é venturosa Essa rosa delicada! Invejada no teu peito Satisfeito a vê o amor! Que fortuna! a rosa treme?... Sonho? ó Glaura, eu não deliro : Vôa e foge o teu suspiro, E não teme o ser traidor. Vem, suspiro terno e mudo; Vem, dissipa os meus temores; Vence a rosa ás outras flores, Vença tudo o meu ardor. Quanto, ó ninfa, é venturosa Essa rosa delicada! Invejada no.teu peito, Satisfeito a vê o amor!