Rondó 47 - A Maré Glaura: poemas eróticos · Capítulo 48 de 122
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Rondó 47 - A Maré

Se invejoso o amor te impede Ver a rede no remanso, Deixo o lanço; ah que em demoras Vão as horas da maré! Namorada Galatea, Que abrandou os negros mares, Fugirá d'estes lugares, Se na arêa te não vê. Tem de pérolas um fio N'estes humidos rochedos, E mostrando os seus segredos, Diz ao rio, quefas dê. Se invejososo amor te impede Ver a rede no remanso, Deixo o lanço; ah que em demoras .Vão as horas da mar,é! Surda magoa me consome E o tormento mais se aggrava, Quando amor na rica aljava O teu nome escrito lê. Ai de mim! ó Vénus beba, Que do amor tenho ciúmes! Nada valem meus queixumes... Choro e ella me não crê. Se invejoso o amor te impede Ver a rede no remanso, Deixo o lanço; ah que em demoras Vào as horas da maré! Vi, ó Glaura... que prodigio! Meu alento se perturba!... Vi de amores linda turba N'um vestígio do teu pé. Mas não te enchas de vaidade, Que os amores são ligeiros; Vão e tornão lisongeiros Sem verdade, ardor, nem fé. 12. — 21O - Se invejoso o amor te impede Ver a rede no remanso, Deixo o lanço; ah que em demoras Vão as horas da maré! Ah cruel! porque te escondes De quem só por ti desmaia? Porque deixas esta praia ? Não respondes? ai! porque? Já feroz melancolia Tolda o mar, cobre a espessuia : Para os mimos da ventur a Este dia já não é. Se invejoso o amor te impede Ver a rede no remanso, Deixo o lanço; ah que em demoras Vão as horas da maré!

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