Rondó 48 - O Bosque
Das-me, amor, o que desejo; Mas não vejo Glaura bella : E sem ella... ah que eu deliro, 'E suspiro sem cessar! Entre o musgo a penha dura Mostra azues, mostra rosadas» As conchinhas delicadas Com brandura a gotejar. Sobre a fonte crystalina Cedro annoso e curvo pende : Namorado a rama estende, E se inclina para o mar. Das-me, amor, o que desejo; Mas não vejo Glaura bella : E sem ella... ah que eu deliro, E suspiro sem cessar! Verdes chopos, verdes faias Move zefiro brincando: Loiras ninfas vem nadando Estas praias a beijar. Vejo cândidos amores, Vejo graças melindrosas, E as abelhas preciosas, Que nas flores vem pousar. Das-me, amor, o que desejo; Mas não vejo Glaura bella : E sem ella... ah que eu deliro, E suspiro sem cessar! Os prazeres mais suaves Aqui voão noite e dia : Ouvo em vozes da alegria Ternas aves modular. Os agrados innocenles, Que só vio a idade de oiro, Nesta gruta o seu thcsoiro Vem contentes derramar. Das-me, amor, o que desejo; Mas não vejo Glaura bella : E sem ella... ah que eu deliro, E suspiro sem cessar! Este bosque afortunado, Que delicias mil ajunta, Seja embora o de Amàthunta Dedicado á tutelar. Voltarei, amor piedoso, A' minha áspera montanha : Lá, se a ninfa me acompanha, Vou ditoso respirar. Das-me, amor, o que desejo; Mas não vejo Glaura bella : E sem ella... ah que eu deliro E suspiro sem cessar! '*w