Rondó 49 - Os Segredos Glaura: poemas eróticos · Capítulo 50 de 122
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Rondó 49 - Os Segredos

Vi cupido, ó Glaura, um dia, Em quê ardia o sol no prado, E sentado entre arvoredos Mil segredos me mostrou. Suspirei ao ver nas flores A desgraça e a ventura : E inda mais quando a ternura E os amores me afirmou. Penso então absorto e mudo Nos encantos da belleza, Que risonha a natureza Sobre tudo derramou. Vi cupiío, ó Glaura, um dia, Em que ardia o sol no prado, E sentado entre arvoredos Mil segredos me mostrou. Entendi o som constante D'este rio gracioso, E o do zefiro saudoso, Fino amante, me agradou. Esta fonte despenhada Também geme, também chora, E dos troncos que enamora,. Apartada se queixou. . Vicupido, ó Glaura, um dia, Em que ardia o sol no prado, E sentado entre arvoredos Mil segredos me mostrou. Se me vês enternecido Ao rolar o pombo, attende, Que a minha alma a voz lhe entende; Pois cupido me enfinou. Frio peixe, bruta fera, Veloz ave..; ah quanto existe Ao amor em vão resiste, Que na esíera triunfou. ._ 216 - Vi cupido, ó Glaura, um dia, Em que ardia o sol no prado, E sentado entre arvoredos. Mil segredos me mostrou. Ternos votos elle inflamma Em ardor suave e puro.: Corações de bronze duro N'outra chamma incendiou. E sabendo que estes valles Só me dão cruéis abrolhos, Co' a doçura dos teus olhos Os meus males abrandou. Vi cupido, ó Glaura, um dia, Em que ardia o sol no prado, E sentado entre arvoredos, Mil segredos me mostrou.

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