Rondó 52 - A Ausencia Glaura: poemas eróticos · Capítulo 53 de 122
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Rondó 52 - A Ausencia

Musgosa e fria gruta, Sombrios arvoredos, De vós os meus segredos Confia o terno amor. Ouvi, ó duras penhas; Ouvi a minha dôr. Chorando a bella Glaura Me teve nos seus braços : Ah que tão doces laços Não vio já mais o amor! Naquelle triste dia Morreo minha esperança; Deixando na lembrança Mais vivo o meu ardor. Ouvi, ó duras penhas, Ouvi a minha dôr. Eu vi nadar em pranto Aquelles olhos bellos, E soltos os cabellos, Coraque brincava amor. Já rouca suspirando De magoa, e de ternura, Co' a mão no peito jura O mais constante ardor. Ouvi, ó duras penhas, Ouvi a minha dôr. Nas vêas gela o sangue, Se choras Glaura afflicta : O coração palpita, E foge a viva côr. Funesta desventura! Cruel, impio desterro! Porque de bronze ou ferro Me não formaste., amor? Ouvi, ó duras penhas, Ouvi a minha dôr. Por mim nos verdes troncos Seu nome foi gravado; Crescia o nome amado, Crescia o meu amor. Agora entre suspiros Na fúnebre espessura Lamento a sorte escura... Ai, misero pastor! Ouvi, ó duras penhas, Ouvi a minha dôr. Nas libycas áreas, Ou sobre as neves frias, Com ella alegre os dias Passara sem temor. Mas longe dos seus olhos, Me assusta a morte avara, E o mar que nos separa, Separa o nosso amor. Ouvi, ó duras penhas, Ouvi a minha dôr. Sonora e branda lyra Das musas temperada, Aqui serás deixada Por victima de amor. Ouvi, ó duras penhas, Ouvi a minha dôr.

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