Rondó 56 - A Magoa
Hamadryáde me disse, Que fugisse d'este monte: E na fonte e na floresta Vi funesta a minha dôr. Sobre nuvens, e entre raios, Oh que monstro! a Febre vinha, E na mão por lanças tinha Os desmaios, o terror. Mais cruel a morte a segue, Espantosa, feia e dura, Que só victimas procura, Em que empregue o seu furor. Hamadryade me disse, Que fugisse d'este monte, E na fonte e na floresta Vi funesta a minha dôr. Geme o pallido desgosto, Envolvido em negro manto : Geme e chora} e no- seu pranto Cobre o rosto o triste amor. Tudo, ó céos! tudo me assusta : Temo... ai ninfa desgraçada! Temo estrella sempre irada, Sempre injusta em seu rigor. Hamadryade me disse, Que fugisse d'este monte, E na fonte e na floresta Vi funesta a minha dôr. Cede Glaura-, ó campo! ó lares! Cede aos míseros destinos, E em seus olhos crystalinos Dos pezares vejo a côr. Onde estão os doces laços? Onde estão? ah ver não quero! Ai de mim! que mais espero Já nos braços do pavor! Hamadryade me disse, Que fugisse d'este monte, E na fonte c na floresta Vi funesta a minha dôr. O lamento, a mortal anciã Me acompanhão nestes valles, E esmorece em tantos males A constância e o valor. Se te occulta a terra fria; Que farei n'estes retiros? Ouve, ó Glaura, ouve os suspiros, Que te envia o teu pastor. Hamadryade me disse, Que fugisse d'este monte, E na fonte e na floresta Vi funesta a minha dôr.