Rondó 57 - O Rio Glaura: poemas eróticos · Capítulo 58 de 122
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Rondó 57 - O Rio

Chora o rio entre arvoredos, Nos penedos recostado : Chora o prado, chora o monte, Chora a fonte, a praia, o mar. Vem as graças lagrimosas, E os amores sem ventura N'esta fria sepultura Pranto e rosas derramar. Por ti, Glaura, a natureza Se cobrio de magoa e luto : Quanto vejo, quanto escuto - , É tristeza, e é pezar. Chora o rio entre arvoredos, Nos penedos recostado : Chora o prado, chora o monte, Chora a fonte, a praia, o mar. A escondida, áspera furna Deixão satyros agrestes, E de lúgubres cyprestes Vem a urna circular. Vem saudades, vem delírios, Vem a dôr, vem o desgosto Co' cabellos sobre o rosto Murta e lyrios espalhar. Chora o rio entre arvoredos, Nos penedos recostado : Chora o prado> chora o monte, Chora a fonte, a praia, o mar. N'estes ramos flebil aura Triste vôa e preza gira i Glaura aqui, e ali suspira, Torna Glatírd a suspirar r Ecbo, as dryades magõãj O saudoso nome ouvindo; E na gruta repetindo, Glaura sôa e geme ò ár; Chora o rio entre arvoredos, Nos penedos recostado: Chora o prado, chora o monte, Chora a fonte, a praia, ò mar. Glaura, ó morte enfurecida, Espirou... que crueldade! E podeste sem piedade Sua vida arrebatar? Cahe a noite, a nevoa grossa Turba os céos co' manto escuro; E eu afflicto em vão procuro Quem me possa consolar. Chora o rio entre arvoredos, Nos penedos recostado: Chora o prado, chora o monte, Chora a fonte, a praia, o mar.

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