Rondó 58 - A Lua Glaura: poemas eróticos · Capítulo 59 de 122
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Rondó 58 - A Lua

Como vens tão vagarosa, O' formosa e branca lua! Vém co' a tua luz serena Minha pena consolar. Geme, oh céos! mangueira antiga Ao mover-se o rouco vento, E renova o meu tormento, Que me obriga a suspirar. Entre pallidos desmaios Me achará teu rosto lindo, Que se eleva, reflectindo Puros raios sobre o mar. Como vens tão vagarosa, O' formosa e branca lua! Vem co' a tua luz serena Minha pena consolar. Sente Glaura mortaes dores : Os prazeres se occultarão, E no seio lhe ficarão Os amores a chorar. Infeliz! sem lenitivo Foge tímida a esperança, E me afflige co' a lembrança Mais activo o meu pezar. Como vens tão vagarosa, O' formosa e branca lua! Vêm co' a tua luz serena Minha pena consolar. A cançada fantasia N'esta triste escuridade, ^> Entregando-se á saudade, Principia a delirar. Já me assaltão, já me ferem Melancólicos cuidados! São espectros esfaimados, Que me querem devorar.

Como vens tão vagarosa, O' formosa e branca lua! Vem co' a tua luz serena Minha pena consolar. Oh que lugubre gemido Sahe daquelle cajueiro! É do pássaro agoureiro O sentido lamentar! Puro amor!... terrível forte!.. Glaura bella... infausto agoiro! Ai de mim! e o meu ihesoiro, ímpia morte, has de roubar? Como vens tão vagarosa, O' formosa, e branca lua! Vem co' a tua luz serena Minha pena consolar.

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