Rondó 60 - A Roseira
Ah roseira desgraçada Dedicada aos meus amores, Tuas flores mal se abrirão, E cáhirão de pezar! Quando Glaura me dizia, Que era sua esta roseira, De esperança lisongeira Me sentia consolar. Mas a sorte, que invejosa Este alivio não consente, Não ha mal, que não invente Rigorosa em maltratar. Ah roseira desgraçada, Dedicada aos meus amores, Tuas flores mal se abrirão, E cahirão de pezar! Da risonha primavera Esperei os dias bellos : Glaura... oh dôr! os teus cabellos Quem podéra coroar. Já não vives, oh que magoa! E a roseira que foi tua, Eu a vejo estéril, nua, Junto d'agoa desmaiar. Ah roseira desgraçada, Dedicada aos meus amores, Tuas flores mal se abrirão, E cahirão de pezar! Parca iniqua, atroz, funesta, Era teu o infausto agoiro; Já levaste o meu thesoiro, Mais não resta que roubar. Nem as flores permittiste... Oh! que barbara impiedade! Fica só cruel saudade, Fica o triste suspirar. Ah roseira desgraçada, Dedicada aos meus amores, Tuas flores mal se abrirão, E cahirão de pezar! De teus ramos a belleza Era o mimo d'estes prados; Move agora, ó impios fados! De tristeza a lamentar. Horrorosos são meus males; Tudo encontro em nevoa escura; Vem comigo a desventura Estes valles assombrar. Ah roseira desgraçada, Dedicada aos meus amores, Tuas flores mal se abrirão, E cahirão de pezar!