Rondó 61 - Orfeo Glaura: poemas eróticos · Capítulo 62 de 122
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Rondó 61 - Orfeo

Quando a esposa procuraste, Abrandaste o reino triste; E inda viste a formosura Sem ventura, ó doce Orféo.. O trifauce cão raivoso T' escutou cheio de espanto : O inflexivel Rhadamanto Lagrimoso se moveo. Cahe das mãos o fio á parca : Ergue atroz Megera a fronte Tua dôr sentio Gharonte, E da barca s' esqueceo. — 25O — Quando a esposa procuraste, Abrandaste o reino triste, E inda viste a formosura Sem ventura, ó doce Orfêo. Come Tántalo esfaimado: De Ixion se aparta o medo : Deixa Sizyfo o rochedo, E sentado adormeceo. Não temeste o vulto afflicto Da tartarca antiga noite, Que medonha o férreo açoite No Cocyto suspendeo. Quando a esposa procuraste, Abrandaste.o reino triste, E inda viste a formosura Sem ventura, ó doce Orfêo. A pezar do fero damno, Só Eurydice buscavas: Só Eurydice choravas, E Summano a concedeo. Tu a vês saudoso e terno; Ah cruel e vão prodígio! Foge a sombra pelo Estygio, E no Averno em fim gêmeo. Quando a esposa procuraste, Abrandaste o reino triste, E inda viste a formosura Sem ventura, ó doce Orfêo. Glaura aqui... aqui se esconde Vida, amor, gosto e belleza... Glaura!... oh céos! mortal tristeza Me responde já morreo! Mas infausta a morte gira Sempre surda a meu lamento; E de mágoa e de Jormento Rouca a lyra emmudeceo. Quando a esposa procuraste, Abrandaste o reino triste, E ipda viste a formosura Sem ventura, ó doce Orfêo.

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