Rondó 62 - A Arvore Glaura: poemas eróticos · Capítulo 63 de 122
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Rondó 62 - A Arvore

Adeos, arvore frondosa, Venturosa em toda a idade! O' saudade, ó pena, eu morro Sem soecorro a delirar! D'este bosque alto e sombrio Sobre a margem da floresta Vinha Glaura pela sesta Valle e rio enamorar. Tua dryade a chamava, O' mangueira, ó dias bellos! E entre pomos amarelhos Me esperava a suspirar. Adeos, arvore frondosa, Venturosa em toda a idade! O' saudade, ó pena, eu morro Sem soccorro a delirar I Quando o vento estremecia Nessa rama verde escura, Glaura chea de ternura Sc affligia de esperar. Os teus fructos merecerão Ser por ella preferidos, E o meu pranto, e os meus gemidos A souberão abrandar. Adeos, arvore frondosa, Venturosa em toda a idade! O' saudade, ó pena, eu morro Sem soccorro a delirar! Morte iniqua... ai, fado escuro! Céo piedoso, eu esmoreço! Tudo, sente o que eu padeço; Quanto é duro o meu penar! Onde eu via as tenras flores Vejo cardos, vejo espinhos : Já não ouço os passarinhos Seus amores gorgear. Adeos, arvore frondosa, Venturosa em toda a idade! O' saudade, ó pena, eü morro Sem soccorro a delirar! Ai de mim, ó vida triste! Dôr cruel, terna lembrança! Acabou minha esperança, Só existe o meu pezar. Glaura, ah! Glaura! em vão te chamo! Chora amor e quasi espira, E me manda a doce lyrã Neste ramo pendurar. Adeos, arvore frondosa, Venturosa em toda a idade! O' saudade, ó pena, eu morro Sem soccorro a delirar.

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