ENTRE A TERRA, O CÉU E A TERRA
Enquanto esvaziava uma caneca de cerveja em um velho boteco de estrada, o lendário caçador de monstros e criaturas mágicas percebeu um homem observá-lo do outro lado do balcão.
O velho demorou a criar coragem, mas, quando enfim se aproximou, reconheceu de imediato o lendário caçador de monstros.
Com a voz trêmula, contou que uma pequena cidade no sul de Mato Grosso vivia meses de terror. Pessoas desapareciam sem deixar vestígios, animais eram encontrados mutilados e, quando a noite caía, ninguém ousava atravessar as regiões de mata fechada.
Em troca de ajuda, o velho ofereceu tudo o que possuía, embora fosse evidente que já não lhe restasse quase nada.
Ele ouviu cada palavra em silêncio, terminou a cerveja e levantou-se sem responder. Afinal, não estava ali para salvar ninguém nem para aceitar serviços de qualquer morador. Seu destino era outro: explorar terras onde nenhum caçador afirmava ter pisado.
O velho permaneceu imóvel, acompanhando-o com o olhar até que desaparecesse estrada afora.