ATO II
A fuga de Ícaro
A fada não esperou nem um segundo. Assim que compreendeu as intenções do caçador, bateu as asas e disparou pelo labirinto da caverna. A fuga apenas despertou ainda mais o instinto de Quebra-Ossos, que abriu um discreto sorriso antes de segui-la sem a menor pressa.
O brilho esverdeado que Sino-Verde espalhava pelo caminho impregnava as paredes úmidas da caverna, formando um rastro invisível para qualquer outra criatura.
Para o caçador, porém, bastava uma única inspiração para descobrir qual passagem seguir, qual túnel ignorar e em que direção sua presa havia voado.
Em um impulso desesperado, Sino-Verde atravessou uma estreita fenda entre as rochas, tão pequena que nenhum homem poderia segui-la. Do outro lado, encontrou uma galeria iluminada por cristais e permaneceu imóvel, prendendo a respiração enquanto ouvia apenas o gotejar da água.
O silêncio persistiu.
Enquanto a fada acreditava ter despistado o caçador, Quebra-Ossos permaneceu imóvel diante da estreita abertura. Seus olhos não demonstravam frustração, apenas uma paciência inquietante. Inspirou profundamente o ar que escapava pela fenda e um discreto sorriso surgiu em seu rosto.
O perfume da fada ainda se infiltrava pelas pedras, suave, mas impossível de confundir.
A estreita passagem não representava um obstáculo. Bastava contornar as rochas e continuar seguindo o rastro que a própria fuga espalhava pelo caminho.