A Suíte de Serviço Contrato no Escuro · Capítulo 5 de 12
Obra Menu

A Suíte de Serviço

Davi levou Beatriz para uma suíte de serviço no quinto andar, a única sala sem câmera ativa segundo o mapa da segurança. A escolha seria absurda em qualquer contrato decente, e ela disse isso antes de entrar. Ele deixou a porta aberta até ela mesma fechar. O quarto guardava móveis embalados, cortinas no chão e uma cama coberta por plástico. Nada ali ajudava reputação nenhuma. Davi colocou o celular sobre a mesa e pediu que ela verificasse o aparelho dele, as mensagens, os acessos, qualquer coisa que provasse que a foto não partira de sua equipe direta.

Beatriz não gostou da confiança oferecida sem defesa. Pegou o celular mesmo assim. Havia mensagens de Helena, de advogados, de fornecedores e da mãe dele, todas cobrando controle. Nenhuma foto. Nenhum contato suspeito. Davi ficou perto da janela, de costas, deixando que ela invadisse sua vida digital com uma calma que parecia exaustão. Ao devolver o aparelho, Beatriz perguntou por que ele comprara briga pelo teatro. Davi respondeu que a tia-avó, Isadora Arantes, foi a única pessoa da família que o tratou como alguém antes de tratá-lo como herdeiro.

Ele contou que Isadora atuava no teatro do hotel quando jovem e que perdeu a carreira depois de um incêndio pequeno abafado pela família. A ala foi fechada, a história virou piada velha, e o prédio seguiu rendendo dinheiro. Restaurar o teatro era a forma de Davi devolver a ela uma verdade que os Arantes preferiam guardar. Beatriz ouviu sem interromper. O passado dele não apagava o risco profissional dela, porém dava contorno ao homem por trás do terno. Contorno era perigoso. Gente com contorno entra na memória.

O gerador falhou por três segundos. O quarto mergulhou em escuro breve, suficiente para os dois se moverem ao mesmo tempo. Davi segurou Beatriz pela cintura para evitar que tropeçasse em uma caixa. Ela segurou a lapela dele. A luz voltou, e nenhum dos dois soltou de imediato. Beatriz sentiu a mão dele firme, respeitosa, esperando ordem. Isso a irritou por uma razão injusta. Ela beijou Davi primeiro, rápida, decidida, encerrando qualquer ficção de inocência. Ele respondeu com cuidado até ela puxá-lo pela nuca.

O beijo terminou antes de virar escolha irreversível. Beatriz recuou com a boca quente e o orgulho ferido pela própria vontade. Davi respirava fundo, testa quase encostada na dela, mãos abertas ao lado do corpo. Disse que não usaria blecaute, ameaça ou quarto fechado para fingir acidente. Ela riu sem alegria. Aquilo era quase pior que avanço bruto, porque respeito bem colocado desmontava defesas antigas. Do corredor veio ruído de passos. Beatriz apagou a luz da suíte e puxou Davi para trás da cortina caída.

1/1
Menu

Fazer anotação