O Nome no Contrato Contrato no Escuro · Capítulo 6 de 12
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O Nome no Contrato

Os passos pararam diante da porta. Alguém tentou a maçaneta, esperou alguns segundos e seguiu pelo corredor. Beatriz manteve a mão na boca de Davi por puro reflexo, sentindo a respiração dele contra a palma. Quando o perigo passou, ela retirou a mão devagar. Davi não fez piada. Isso salvou a noite de se tornar ridícula. Eles saíram da suíte separados por três minutos, como adolescentes caros demais para o próprio drama. No escritório provisório, Helena Prado esperava com um envelope pardo e expressão de quem já escolhera o réu.

O envelope trazia cópia do contrato de Beatriz com uma alteração que ela nunca assinara. A cláusula de conduta incluía rescisão automática caso houvesse envolvimento íntimo com membro da diretoria. A assinatura digital parecia autêntica, com certificado usado pelo escritório dela. Beatriz leu duas vezes, sentindo a raiva organizar cada pensamento. Seu ex-marido, Mauro, ainda tinha acesso antigo a um certificado reserva, usado durante o casamento para assinar documentos da empresa comum. Ela cancelara quase tudo no divórcio. Quase era palavra cara.

Davi quis acionar jurídico imediatamente. Beatriz pediu silêncio e acesso ao histórico de versões do contrato. Helena observava os dois com atenção dura. Disse que a diretoria recebera denúncia anônima sobre favorecimento e que Davi precisava afastar Beatriz até a apuração. Ele recusou. Beatriz, por orgulho e sobrevivência, disse que se afastaria por vontade própria até provar fraude. Davi olhou para ela com algo que passou perto de ferida. Ela sustentou o olhar. Entre desejo e carreira, ela sabia qual lado perdera dinheiro antes.

Em casa, Beatriz abriu arquivos antigos, tokens vencidos e e-mails do divórcio. Encontrou o rastro de login às duas da manhã, vindo de um endereço ligado ao escritório de Mauro. Ele nunca perdoara o crescimento dela depois da separação. Também prestava consultoria para Sérgio Valente, o investidor contrário ao teatro. As pontas se encontraram sem elegância. Beatriz fotografou tudo, salvou em nuvem e enviou para uma advogada amiga. Depois apagou as luzes da sala e ficou sentada no escuro, lembrando o beijo na suíte.

Davi apareceu na portaria do prédio dela perto de uma da manhã, sem motorista, sem gravata, com a mesma cara de quem tomara decisões ruins e ainda defendia cada uma. Beatriz desceu para mandá-lo embora. Ele entregou um pen drive com imagens internas do hotel, incluindo o funcionário de capuz entrando na sala de contratos. Disse que não veio pedir volta ao projeto, veio entregar prova. Beatriz pegou o pen drive e perguntou por que ele continuava arriscando o cargo por ela. Davi respondeu que fazia aquilo por tudo que tentavam apagar usando o nome dela, inclusive a presença dela no centro da fraude.

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