A Festa Sem Luz Contrato no Escuro · Capítulo 7 de 12
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A Festa Sem Luz

A prévia da reinauguração aconteceria em três dias, e Beatriz voltou ao Hotel Aurora como consultora externa da própria defesa. Oficialmente, acompanharia a auditoria técnica. Na prática, queria encontrar quem manipulou o contrato, sabotou o elevador e fotografou o blecaute. Davi aceitou a volta dela diante de Helena, dos advogados e de dois investidores, sem suavizar a decisão. Beatriz percebeu o custo. Ele perderia votos no conselho. Ela perderia mais uma parte da paz. Nenhum dos dois comentou isso no corredor.

O funcionário de capuz se chamava Renato, terceirizado da automação. Sumira desde o blecaute. O cadastro dele trazia endereço falso, telefone sem sinal e pagamento autorizado por uma empresa pequena ligada a Sérgio Valente. Beatriz montou a sequência em um painel de vidro do escritório, usando post-its amarelos, fotos e horários. Davi assistia em silêncio. Quando ela prendeu a imagem da suíte de serviço no centro do quadro, ele perguntou se a noite entraria no relatório. Beatriz respondeu que apenas a parte criminosa. Ele aceitou com dignidade quase irritante.

Na noite da prévia, o hotel recebeu jornalistas, investidores, arquitetos e convidados escolhidos para parecerem espontâneos. Beatriz controlava o sistema de luz pelo tablet, escondida na cabine técnica do teatro. O plano era simples. Deixar a festa acontecer, permitir que o sabotador tentasse repetir a falha e registrar o acesso. Davi circulava no salão com sorriso profissional e olhar que buscava o dela sempre que passava perto da porta do teatro. Beatriz fingia foco absoluto. Falhava em intervalos regulares.

Às nove e doze, as luzes do salão piscaram. O sistema registrou tentativa de acesso remoto. Beatriz bloqueou a primeira entrada e liberou a segunda dentro de um ambiente isolado, preparado pelo técnico de confiança dela. O invasor achou que controlava o hotel. Na verdade, entrava em uma sala falsa, onde cada clique gravava origem, senha e comando. Davi recebeu o aviso pelo celular e levou os convidados ao teatro sob o pretexto de uma surpresa de iluminação. Beatriz apagou o salão inteiro de propósito.

No escuro controlado, o teatro acendeu pela primeira vez em vinte anos. A luz subiu lenta sobre as poltronas vermelhas, o palco restaurado às pressas e o teto cheio de detalhes dourados. A plateia ficou muda. Davi estava no fundo, olhando para Beatriz na cabine, e naquele segundo o hotel pareceu pertencer menos aos investidores e mais aos dois. O tablet vibrou com o alerta final. O acesso vinha do escritório de Sérgio dentro do próprio prédio. Beatriz salvou o registro e desceu a escada com as pernas firmes, embora o coração trabalhasse alto.

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