O Escândalo no Terraço Contrato no Escuro · Capítulo 9 de 12
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O Escândalo no Terraço

Na manhã seguinte, a foto do elevador apareceu em portais de fofoca empresarial. A legenda chamava Beatriz de consultora íntima e Davi de CEO apaixonado pelo próprio desastre. Mauro deu entrevista insinuando que a ex-mulher sempre misturou trabalho e sedução, frase que soou velha até para quem precisava de manchete. Beatriz leu tudo no escritório da advogada, com café frio e vontade de quebrar objetos caros. A advogada recomendou silêncio. Beatriz escolheu outra palavra. Protocolo.

Ela entrou com ação contra Mauro pelo uso do certificado, juntou o rastro de login, o contrato adulterado e as mensagens antigas em que ele ameaçava destruir sua reputação profissional. Também autorizou a divulgação de nota técnica sobre a sabotagem, assinada por sua empresa e pelo perito independente. Davi ligou três vezes. Ela não atendeu, porque ouvir a voz dele antes de resolver o próprio nome seria fraqueza que Mauro adoraria narrar. No quarto toque, veio mensagem. Estou no terraço do Aurora se quiser brigar comigo em local alto.

Beatriz foi ao hotel ao entardecer, contrariando a advogada, o bom senso e a parte de si que ainda tinha medo de repetir escolhas ruins. O terraço estava vazio, com mesas cobertas por lonas e vista aberta para a cidade. Davi esperava perto da mureta, sem paletó, barba por fazer, aparência menos perfeita que nas fotos. Ela começou a briga antes de chegar perto. Disse que ele recusara o conselho por impulso, que isso dava a Sérgio exatamente a história romântica que precisava para desviar o crime.

Davi ouviu até o fim. Depois disse que passou a vida fazendo escolhas aceitáveis para pessoas que nunca pagavam a conta moral delas. Beatriz não seria jogada fora para ele parecer razoável em ata. A frase a desmontou de um jeito perigoso. Ela caminhou até ele e segurou seu rosto com as duas mãos, irritada, comovida, cansada de ser prudente enquanto outros editavam sua vida. O beijo no terraço veio sem plateia visível, profundo, adulto, cheio de dias contidos. Davi a puxou pela cintura e parou antes de ultrapassar o limite que ela não tinha dito.

Um flash disparou do prédio vizinho. Beatriz viu primeiro. Davi virou tarde. A nova foto já estaria em algum lugar antes que descessem do terraço. Beatriz riu, e o som saiu menos desesperado do que esperava. Disse que talvez fosse hora de parar de se comportar como culpada. Davi perguntou o que ela queria fazer. Beatriz olhou para a cidade, para o hotel aceso abaixo deles e para o homem que já não cabia na gaveta de erro previsível. Respondeu que queria contar a verdade inteira, inclusive a parte inconveniente.

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