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Em "A anedota pecuniária", Machado de Assis oferece ao leitor um retrato irônico e incisivo da ganância humana, explorando como interesses financeiros podem dominar relações que deveriam estar baseadas no afeto e na responsabilidade moral. A história tem como protagonista Falcão,...
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Descrição Completa
Em "A anedota pecuniária", Machado de Assis oferece ao leitor um retrato irônico e incisivo da ganância humana, explorando como interesses financeiros podem dominar relações que deveriam estar baseadas no afeto e na responsabilidade moral. A história tem como protagonista Falcão, tio das jovens órfãs que estão sob sua guarda. À primeira vista, ele parece cumprir com seriedade o papel de tutor, mas logo se percebe que sua dedicação à família não nasce do carinho ou da generosidade, e sim da expectativa de ganhos.
Quando surgem pretendentes interessados em se casar com as moças, Falcão transforma a situação em oportunidade de lucro: passa a negociar os matrimônios como quem vende um bem valioso, medindo o valor das sobrinhas em função do dote que poderá obter. O ato, que à primeira impressão poderia ser justificado como uma busca de segurança para as jovens, se revela como uma operação de interesse pessoal, na qual a figura do tio protetor se converte em um comerciante frio, disposto a sobrepor o cálculo financeiro aos sentimentos de afeto ou dever familiar.
Machado constrói a narrativa com a sutileza que lhe é própria, utilizando a ironia como fio condutor e lançando luz sobre as contradições sociais de seu tempo. O conto não apenas critica a mesquinhez de Falcão, mas também expõe uma lógica mais ampla, em que a instituição do casamento é frequentemente atravessada por interesses materiais, transformando a vida íntima em extensão do comércio e da especulação. Essa crítica social, apresentada com elegância e inteligência, faz da história uma reflexão sobre a fragilidade dos valores morais diante do poder corrosivo da ambição.
Sem recorrer a exageros ou moralismos explícitos, "A anedota pecuniária" mostra como a busca incessante pelo dinheiro pode degradar sentimentos e desfigurar laços familiares, reduzindo-os a simples transações. Através de um enredo aparentemente simples, o conto cria um quadro profundo e atemporal sobre as tensões entre afeto, poder e interesse, funcionando como porta de entrada privilegiada para compreender não apenas a crítica mordaz de Machado à sociedade brasileira do século XIX, mas também a universalidade de sua visão sobre os dilemas éticos da condição humana.