Da solidão à solitude
Sobre este livro
Desde que foi lançado, o Eu tem-se constituído num enorme desafio aos seus críticos e intérpretes, que nele reconhecem traços de vários estilos e escolas. Trata-se de uma obra personalíssima, fruto da conjunção entre um temperamento poético original, como é o de Augusto dos Anjos, e a crise em que se debate uma época. No momento em que veio a público, o meio literário brasileiro estava imerso num clima de saturação que propiciava, por vezes, o exercício superficial de temas e formas. A literatura, então considerada um “sorriso da sociedade”, era um decalque anódino e prazenteiro dos sentimentos humanos. Com o livro do paraibano, o sorriso transformou-se em esgar; sua poesia, áspera e melancólica, é sobretudo uma agônica reflexão sobre o homem e seus abismos.
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