Agenor Fonseca desembarca em Lisboa com o bigode desconfiado, um caderno amassado no bolso e a mania de transformar caos em método. Quando um apagão num beco termina em morte, ele passa a farejar contradições como quem segue cheiro de café forte: escuta antes de falar, anota deta...
Agenor Fonseca desembarca em Lisboa com o bigode desconfiado, um caderno amassado no bolso e a mania de transformar caos em método. Quando um apagão num beco termina em morte, ele passa a farejar contradições como quem segue cheiro de café forte: escuta antes de falar, anota detalhes que ninguém quer ver, testa versões com perguntas simples e incômodas. Entre azulejos, padarias e lavandarias, Agenor atravessa a cidade com humor seco, observando a coreografia dos boatos e a pressa com que “certezas” se espalham. Ele compara o ronco de um gerador ao silêncio de uma janela fechada, mede passos na calçada, traduz mentalmente os tropeços entre o português de cá e o de lá — e prova que uma piada, na hora certa, desmonta defesas tão bem quanto uma prova.
Lisboa vira tabuleiro: postes que piscam, becos que guardam segredos, licor de ginja que adoça conclusões amargas. Agenor erra, volta, insiste; ri quando pode, indigna-se quando precisa e não recua enquanto a versão mais confortável ainda for a menos verdadeira. O Caso do Beco Sem Luz é a história de um investigador às avessas — teimoso, irônico, metódico — que acredita que uma cidade se entende melhor quando se acende a luz certa: a da verdade.
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