Introvertido. Eles me olham e dizem Que sou metido Que até pareço mudo. Mas a verdade é que Falo pouco e observo muito, Observo tudo. Observo você aí Se esforçando pra parecer legal, Se achando o tal, o maioral Nessa sua estranha necessidade De aceitação, autoafirmação. Não me leve a mal, Pra mim isso não é normal O normal é ser real, leal Ser sincero e verdadeiro Mesmo que não agrade O grupo inteiro; Mesmo que a piada saia No momento inadequado, Mesmo que seja incompreendido Mal interpretado, rejeitado Ainda assim, serei eu Imperfeito, Introspecto, invertido Convertido, mas não convencido Só eu.
Da minha janela observo Uma pequena flor delicada Pisoteada pela vida a murchar Abandonada no sol a secar No calor de uma dura calçada.
Não há esperança para aquela flor A vida é dura e os dias difíceis Mas ela luta e ainda resiste Com as suas fracas raízes Ao relento apesar da dor.
Consigo ouvir daqui seu lamento Por não nascer naquele jardim Entre as rosas e o lindo Jasmim Onde a grama é sempre mais verde Onde as flores estão bem plantadas E com todo amor são cuidadas Pelo jardineiro sempre regadas.
Ah, que sorte tem aquelas flores As brancas, vermelhas, amarelas A exibir seu perfume e suas cores Nasceram só para ser belas Tão bem sucedidas elas Como não iria se comparar?
Enquanto a florzinha seca Implora ao vento que leve Suas pequenas sementes Que ao jardineiro as entregue Que seu destino seja diferente Merecem viver plenamente.
Mas não se engana a florzinha Chegando a uma conclusão: Nesta selva de concreto fria os jardins são uma exceção Pequenas flores ainda morrem E muitas ainda secarão.
O mundo não tem mais tempo Ela não se ilude afinal, Estão todos sempre correndo Escravos da sobrevivência Seu senhor é o capital.