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#desafiodeescrita @literunico
Escrevo em linhas tortas,
as várias faces de mim.
Minhas vozes todas,
gritando, surtando,
implorando, querendo sair.
Sentimentos pesados,
pensamentos sufocados,
que ainda guardo aqui.
As acolho, as ouço,
liberto em esboços,
transferem-se para o texto,
com um belo pretexto,
quem adivinharia?
De fazer poesia.
Jusley Naiane
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Desafio @literunico
Interpretação
Sou intérprete de mim,
Das muitas versões
Que carrego aqui dentro.
Hora sou menina
Hora sou leoa
Hora sou má,
Hora sou boa;
As vezes sonhadora
As vezes desiludida
Este é o teatro da vida,
Essa é a graça da escrita.
Jusley Naiane
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Hoje vi Deus,
Deitado em uma calçada ao relento
Tremendo de frio.
Hoje vi Deus,
Com uma latinha na mão,
Pedindo esmola por um pedaço de pão.
Hoje vi Deus,
Bem ali na esquina, vendendo seu corpo
Por um um pouco de conforto
Hoje vi Deus,
Ele não estava pregado em uma cruz,
Estava morrendo na fila do SUS.
Hoje vi Deus, e ele chorava,
Ao olhar para a terra e ver seus filhos
Se matarem a troco de nada.
Hoje vi Deus,
E você,
Também pode ver?
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Introvertido.
Eles me olham e dizem
Que sou metido
Que até pareço mudo.
Mas a verdade é que
Falo pouco e observo muito,
Observo tudo.
Observo você aí
Se esforçando pra parecer legal,
Se achando o tal, o maioral
Nessa sua estranha necessidade
De aceitação, autoafirmação.
Não me leve a mal,
Pra mim isso não é normal
O normal é ser real, leal
Ser sincero e verdadeiro
Mesmo que não agrade
O grupo inteiro;
Mesmo que a piada saia
No momento inadequado,
Mesmo que seja incompreendido
Mal interpretado, rejeitado
Ainda assim, serei eu
Imperfeito, Introspecto, invertido
Convertido, mas não convencido
Só eu.
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Desejo traduzir-me
Em palavras que façam sentido
Que expressem tudo que sinto
Tudo aquilo que não consigo falar
Na inabilidade de me comunicar
Me escrevo em cada verso
Linha por linha eu me expresso
Esta é a minha versão do mundo
Não é nada muito profundo
Eu me traduzo,
Você me interpreta
Há quem diga que isso
É ser poeta.
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Da minha janela observo
Uma pequena flor delicada
Pisoteada pela vida a murchar
Abandonada no sol a secar
No calor de uma dura calçada.
Não há esperança para aquela flor
A vida é dura e os dias difíceis
Mas ela luta e ainda resiste
Com as suas fracas raízes
Ao relento apesar da dor.
Consigo ouvir daqui seu lamento
Por não nascer naquele jardim
Entre as rosas e o lindo Jasmim
Onde a grama é sempre mais verde
Onde as flores estão bem plantadas
E com todo amor são cuidadas
Pelo jardineiro sempre regadas.
Ah, que sorte tem aquelas flores
As brancas, vermelhas, amarelas
A exibir seu perfume e suas cores
Nasceram só para ser belas
Tão bem sucedidas elas
Como não iria se comparar?
Enquanto a florzinha seca
Implora ao vento que leve
Suas pequenas sementes
Que ao jardineiro as entregue
Que seu destino seja diferente
Merecem viver plenamente.
Mas não se engana a florzinha
Chegando a uma conclusão:
Nesta selva de concreto fria
os jardins são uma exceção
Pequenas flores ainda morrem
E muitas ainda secarão.
O mundo não tem mais tempo
Ela não se ilude afinal,
Estão todos sempre correndo
Escravos da sobrevivência
Seu senhor é o capital.
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