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Um Tour Quase Perfeito

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Um Tour Quase Perfeito

Capítulo 1 · Um Tour Quase Perfeito

1.

UMMelina

Melina sai do ambiente climatizado e aconchegante da secretária da universidade Unieras com o peito transbordando alegria. Nunca achou que entregar documentos e resolver burocracias fosse ser tão satisfatório. Sua vontade era gritar: irei cursar educação física numa das melhores instituições do país.

Perder incontáveis horas de sono e me tornar quase uma pessoa reclusa de tanto estudar para o vestibular valeu a pena.

Não conseguindo conter, gritinhos de empolgação lhe escapam.

Logo que se dá conta que pode ter alguém a observando. Melina, olha para os lados a fim de verificar se não há ninguém rindo dela. Mas ao constatar que não, fica aliviada e ri da sua própria maluquice. Nem mesmo o frio congelante de São Paulo não seria capaz de apaga seu sorriso.

Melina caminha para a saída da instituição, quando lembra do seu irmão de consideração, Sávio que a espera no bar. Querendo evitar ligações indesejadas e chamadas de atenção, ela retira o celular do bolso para informá-lo que está a caminho do estabelecimento. Não querendo parar, Melina digita e anda ao mesmo tempo, alternando a atenção entre uma coisa e outra por um curto período cada. Assim que tem a mensagem escrita, ela envia. Mas quando torna a olhar para frente, colide com um grande muro de músculos.

— Porra! — reclamou Ravi protegendo Melina com seus braços para não a derrubar.

— Desculpa, moço — rebateu ela constrangida, agarrando-se ao tecido jeans das mangas de jaqueta escura dele para se equilibrar.

Ao ouvir a entonação doce e desprotegida na voz de Melina, acendeu em Ravi um suave desejo.

No solavanco, a cabeça dela bate levemente no peitoral dele e os braços do rapaz apertam mais entorno da cintura da jovem.

— Imagina, eu também estava distraído. Você tá bem? — Ravi pergunta, curvando-se para ficar mais próximo do ouvido de Melina.

Ouvir a voz grave dele tão perto, desperta nela um turbilhão de sensações que estavam adormecidos nela tinha um tempo. Dentre tantas emoções, a vergonha crescia desproporcionalmente. Por um segundo, ela cogita fingir um desmaio. Uma vez que, considera uma ótima ideia para sair dessa situação. Mas imaginar que ele vai crer que o motivo do desmaio foi está em seus braços, faz ela desistir de pôr seu plano em prática. Ao inspirar profundamente para juntar os cacos de dignidade que lhe restam, chega a narina dela um aroma de perfume caro, sofisticado e absurdamente viciante.

— Sim. — Ela sorri de maneira vibrante e usa uma entonação enérgica ao falar.

— Tem certeza? — Ravi questionou hesitante.

Ao encarar Melina, Ravi não vê a convicção de suas palavras em seus olhos cor de esmeralda. Além de chegar a conclusão que a voz dela estava vacilante. Ele deduz que ela deveria estar mentindo. Mas para saber se está certo, Ravi faz um teste. O rapaz lhe dá o seu sorriso mais encantador, mergulhando em suas íris por um tempo considerável. A resposta não demora para chegar, ao ver as bochechas pálidas dela, ganhar um tom avermelhado. Tem a certeza de que as suas impressões estão mais que correta. Contudo, quando Melina quebra o contato visual com ele e sua atenção cai na águia tatuada no pescoço dele. O instinto predatório de Ravi é ativado com força total. Ele pigarreia, para chamar a atenção dela. Ao ser pega em flagrante, torna o vermelho das suas maçãs do rosto mais intenso.

— Eu me chamo Ravi.

Se apresenta o rapaz largando a cintura da jovem, para espantar a possibilidade da cabeça dela de que ele poderia estar se aproveitando da situação.

— Melina — diz a jovem voltando a olhar para o rosto de Ravi e pondo uma distância entre eles.

Ravi passa a mão em sua barba cheia, com fios loiros e bem aparados. Seus olhos âmbar esquadrinham o rosto de Melina vagarosamente. Como se estivesse gravando cada detalhe. Mas quando chega nos lábios carnudos da moça, não pode conter a euforia. E o desejo se torna urgente.

Sob o olhar dele, Melina senti seu corpo todo esquentar. Tendo até que se controlar para não abanar-se na frente de Ravi, devido ao repentino calor que sente.

Ainda bem que cortei o cabelo curto, imagina se tivesse com ele grande ainda.

De repente o celular vibra na mão dela.

Ravi cerra os punhos na lateral do corpo, enquanto na mente dele só consegue torcer para que ela seja solteira.

— Desculpa, Ravi… — Melina pediu, voltando sua atenção para a tela do dispositivo.

Logo agora, Sávio, pensou ela.

— Tranquilo!

Ravi fala fingindo certa indiferença, mas por dentro estava gritando: quem porra é Sávio? Sua vontade é perguntar, para matar sua curiosidade, mas não o faz. Pois sabe que irá espantar a ela se o fizer e isso é tudo que ele não quer agora.

Preciso ser cauteloso, um erro pode ser fatal, pensou ele.

— Oi, Sávio! — Melina fala sorridente, assim que leva o aparelho ao ouvido.

— Desculpa a demora, maninha! Tava um pouco ocupado aqui — diz Sávio do outro lado da linha, enquanto se ouve buzinas no fundo da ligação. — Quer eu mande um Uber te buscar?

Ravi retira o celular do bolso e verifica as notificações apenas para despistar Melina. Pois, na realidade, ele tem a esperança dela soltar alguma sobre seu estado civil.

— Sei bem sua ocupação. Você já tá no bar? — ela questiona, olhando para Ravi que alterna o peso entre uma perna e outra enquanto mexe no celular.

— Não brinco em serviço, Lina! Acabei de chegar, Miranda já está a nos esperar.

— Manda o Uber que já chego aí.

Ravi põe o telefone no bolso e fita Melina exibindo uma calma que não sente de fato. Pois tudo que tem na mente dele é: pegue o número dela.

— Ok, princesa!

Princesa! Sério? Sávio sabe que odeio que ele me chame assim.

Melina fica tentada a reclamar mais uma vez com Sávio sobre esse apelido idiota. Mas quando está prestes a falar, lembra-se de Ravi bem a sua frente e se detém. Então, apenas encerra a chamada.

— Desculpa, preciso ir. — pediu Melina, encarando Ravi por breves segundos, antes de passar por ele.

— Não, precisa de ajudar pra sair? Digo, você pode se perder, isso acontece com frequência — apela Ravi na tentativa de ter mais alguns minutos com ela.

Por que você está fugindo, Melina? Será que fiz algo errado?, pensou ele.

Melina deseja responder que sim, pois a Unieras é realmente gigantesca. Do tipo que é necessário um mapa para se guiar pelo local. Mas, ao mesmo tempo, tudo que ela não quer é parecer ainda mais desastrada para o carinha que achou bonito.

— Não, valeu! — respondeu ela, dando as costas para Ravi e caminhando com passos apressados para longe dele.

***

O trânsito de São Paulo trafegava devagar mais caótico na mesma proporção. Durante o trajeto, Melina fica no celular o tempo todo, conferindo a vista poucas vezes. Ela está conferindo seu Instagram, quando recebe uma mensagem no WhatsApp de sua mãe. Melina ri ao ler o texto dramático de Lúcia sobre ter se esquecido dela. O que faz o motorista olhar para ela pelo retrovisor. Para amenizar o drama, Melina lembra a mãe que se mudou para casa do Sávio tem somente um dia. E para evitar uma discussão com a matriarca emenda no assunto faculdade para distraí-la. Melina passa a viagem contando a mãe sobre como é instituição. A conversa só cessa quando o veículo para.

Quando volta a atenção para a vista, Melina se detém alguns segundos surpresa com a beleza do local. Pois a expectativa dela era um bar mais informal e não algo tão chique. Ao analisar suas roupas que são tão casuais e senti-se arrependida de não ter se produzido mais.

Você me paga essa, Sávio!

O Flama Final tem uma fachada escura, com seu estilo industrial, janelas largas e luzes âmbar. Além de podermos escutar a algazarra das pessoas do lado de fora. O ambiente lhe soa a cada segundo mais fascinante.

Mas, só quando o motorista lhe informa que esse é o seu destino, ela sai do carro. Do lado de fora, Melina manda uma mensagem para o Sávio a fim que ele venha lhe buscar. Para sorte dela, ele responde rápido que vem ao seu encontro. Em poucos minutos, Sávio está na frente do Flama Final.

— E aí, baixinha! Achei que tivesse se perdido no caminho — cumprimentou ele, dando um abraço apertado nela. Chegando a lhe tirar do chão alguns milímetros.

— Fala sério! Temos a mesma altura idiota — rebateu ela, após se libertar dos braços do irmão.

— Sou o irmão mais velho aqui, por favor mais respeito — pediu Sávio, exibindo uma carranca em seu rosto.

Ele ajeita as mangas de sua jaqueta militar e depois cruza os braços.

Melina estreita os olhos para ele, que não demora a desfazer sua pose e cai na gargalhada. A alegria de Sávio, contagia Melina e logo estamos ambos rindo de uma piada besta dele.

Algumas coisas nunca mudam. E eu amo isso no Sávio.

— Vem, vamos sair desse gelo — Sávio disse, passando a mão em seus cachos negros e entrando no bar.

Ao entrar no bar Melina constata que o lugar está mais lotado que ela imaginou que estaria. O local é tomado por mesas cheias, sons de conversas e risadas eventuais. Devido a isso, tem dificuldade em se manter atrás de Sávio. Mas quando ela se distância, consegue manter a atenção nele. Sávio passa com maestria por entre as mesas lotadas, chamando a atenção de algumas pessoas. Melina, por outro lado, passa pedindo desculpas e licenças pontuais. Principalmente evitando contato visual com os caras aparentemente bêbados.

Ao vê Sávio sentar-se numa mesa próximo ao centro do salão, a atenção de Miranda recaí sobre ela. Com um largo sorriso Miranda se ergue para dar um gentil abraço em Melina ao se aproximar.

— Que mudança radical foi essa nesse cabelo? — Melina diz surpresa, por ver os cabelos curtos e platinados de Miranda. — Cadê aquelas tranças longas?

— Tava a fim de experimentar umas coisas novas — respondeu Miranda, bagunçando seu cabelo. — Se soubesse a praticidade disso aqui, ia aderir também.

Miranda dá uma risadinha, após se sentar.

— Não, valeu! Tem hora que me arrependo é de ter cortado meu curto — Melina confidencia, se sentando na cadeira vazia entre Miranda e Sávio.

— Mulheres, quem consegue entendê-las — resmungou Sávio, fitando Miranda.

— Nem me fale, mano! — rebateu Miranda, cobrindo os olhos com uma das mãos.

— Tão sofrendo por amor? — Melina provoca eles, pondo a bolsa pendurada nas costas da cadeira. — Contem aqui pra titia? Eu ajudo vocês!

— Essa menina tá superando você, Sávio! — comentou Miranda bem-humorada, bebendo sua cerveja.

Sávio apenas ri, pegando um espetinho de carne do prato e comendo um pedaço.

— Ok, senhora guru do amor. Diga-me o que vai beber? — Sávio questiona Melina, após mastigar a carne.

Melina olha para o irmão, lhe dando um largo sorriso. Uma vez que, tem certeza que Sávio vai entender o recado.

— Ok, vai lá no bar pedir sua caipirinha — diz ele aos risos.

Ela ligeiramente se levanta e se direciona para o bar.

— A tia Lúcia, deixo você vir? — Miranda berrar para provocar Melina.

Ostentado um sorriso bobo no rosto, Melina se esgueira por entre as mesas até o bar quase flutuando. Mas, sua animação se desfaz ao ver a muralha de pessoas que tem que enfrentar para chegar nos bartenders.

Ela bufa frustrada.

— Precisando de alguma ajuda? — falou uma voz masculina, sutilmente rouca, repousa a mão em meu ombro.

Ao olhar para o lado ele, Melina se depara com um carinha bem charmoso. Os cachos castanhos-escuros dele estão revoltos. Enquanto seus olhos tão verdes quanto os meus me analisavam milimetricamente. A atenção dele se detém mais nos lábios dela. Mas ao tornar a atenção para o rosto de Melina, o rapaz abre um sorriso intenso. O que me deixa levemente desconfortável. Além de que os olhos dele, bem como as bochechas, estão levemente avermelhados e em sua mão há uma latinha de cerveja.

Micael toma mais um gole de sua bebida e Melina retira a mão dele de seu ombro.

Droga, comecei com o pé esquerdo, pensou ele.

— Não, valeu!

Melina dispensa o bêbado e tenta se esgueirar pela multidão até o bar.

— Qual bebida você quer? — Insistiu ele com a seriedade no tom da voz. — Eu só quero ajudar, moça.

Micael percebendo que avançou demais o sinal, recua apelando para o jogo do sou um bom moço. Melina fica de costas para Micael por quase um minuto inteiro. O que deixa ele quase a beira de uma crise de ansiedade. Mas quando ela o encara, ele sabe que tem uma chance. Uma vez que, tem a situação ao seu favo. Além do fato da áurea confiante dela, está se desfazendo num olhar vago.

— Vai demorar um milhão de anos até você pedir sua bebida. Quando ela chegar é capaz terminar em segundos de tamanha sede. Depois disso, novamente vai ter que enfrentar essa fila de novo — Micael argumenta usando todo sem poder de persuasão.

— Ok! Aceito sua ajuda — falou Melina irritada por ele ter razão. — Quero uma caipirinha de limão.

Como resposta ele se vira e ela ouve somente o som da risada do desgraçado.

Melina segue os passos de Micael que se afasta um pouco dela. Ele por sua vez, toca no braço de uma mulher de cabelos pretos com mechas ruivas que está próxima aos bartenders. Quando a desconhecida fita o rapaz, ele sussurra algo no ouvido dela. A moça olha para o Micael com um ar de riso e depois para Melina. A morena olha Melina de cima a abaixo antes de voltar para o cara, com um brilho intenso nos olhos. Tal inspeção deixa Melina ainda mais irritada. A fazendo considerar ir embora sem falar nada. Mas ao escutar a moça de mechas ruivas, assoviar, Melina volta sua atenção para ela. Quando o barman se aproxima, a morena faz o pedido.

— Não precisa agradecer! — disse Micael chamando a atenção de Melina.

Melina fuzilou o rapaz com o olhar. Enquanto as palavras de baixo calão festejavam na ponta de sua língua. Mas ela escolhe prezar pela civilidade, contendo os xingamentos apenas pelo esforço de sua vontade.

— Mano! — interveio Analu pondo o drinque bem diante do rosto de Melina e Micael.

Mesmo com o drinque ali suspenso, Melina e Micael não quebram o contato visual.

— Se precisar de mais, é só falar — Micael falou com a diversão fixa em meu semblante.

Para não mandá-lo ir a merda, Melina pega o drinque e lhe dá as costas.

Um Tour Quase Perfeito

Sinopse

Melina Magalhães é uma jovem de 20 anos que agarrou a oportunidade de mudar de bairro, de rotina — e de vida. Novos ares trazem novas amizades, amores inesperados… e problemas indesejados. Em uma noite, Melina conhece Micael, um músico talentoso que desperta tudo aquilo que Melina não desejava: sentimentos reais. Mas como nem tudo fica onde deveria, fantasmas do passado batem à porta, fazendo Melina tropeçar entre o presente e o passado. Entre beijos escondidos, guerras silenciosas e acordos perigosos, em quem se pode confiar? Um Tour Quase Perfeito é cheio de intrigas e paixões que gritam mais alto que a razão. Porque às vezes, o tour dos sonhos torna-se um verdadeiro campo de batalha — e é aí que o coração mostra pra onde quer ir.

Ver ficha da edição física
LITEBN
LITEBN-978652073206637261941802
Formato
16 × 23 cm
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