Universo da obra
Universo da obra
(No album de seo Irmão Dr. J. D. Lisboa Serra.)
Il semble que le ciel aux coeurs les plus magnanimes
Mesure plus de maux.
LAMARTINE.
Perfeita formosura em tenra idade
Qual flôr, que anticipada foi colhida,
Murchada está da mão da sorte dura.
CAMÕES , Soneto .
Lá, bem longe d’aqui, em tarde amena,
Gozando a viração das frescas auras,
Que do Brazil os bosques brandamente
Fazião balançar,-e que espalhavão
No ether encantado odor, pureza-
Do que a rosa mais bella,-meiga e casta,
Como as virgens do sol,
Que de vezes não foi ella pendente
Dos braços fraternaes em meigo abraço;
Como mimosa flôr presa, enlaçada
A tenro arbusto que a vergontea debil
Lhe ampara docemente!...
E o Irmão que só n’ella se revia,
O Irmão que a adorava, qual se adora
Um mimo do Senhor;
Que a tinha por pharol, conforto e guia,
Os seos dias contava por encantos;
E as virtudes co’os dias pleiteavão.
E ella morreo no viço de seos annos!...
E a lagem fria e muda dos sepulchros
Se fechou sobre o ente esmorecido
Ao despontar de vida
Tão rica de esperanças e tão cheia
De formosura e graças!...
Campa! campa! que de terror incutes!
Quanto esse teo silencio me horrorisa!
E quanto se assemelha a tua calma
A do cruel malvado que impassivel
Contempla a sua victima torcer-se
Em convulsões horriveis, desesp’radas;
Crúas vascas da morte!...
Quem tão má te creou?
Tu que tragas o ente que esmorece
Ao despontar de vida
Tão rica de esperanças e tão cheia
De formosura e graças?!
O pharol se apagou! a luz sumio-se!
Como o fugaz clarão do meteóro,
Extinguio-se a esperança;-e o mal-fadado
Sobre a terra deserta em vão procura
Traços d’essa que amou, que tanto o amára;
Da joven companheira de seos brincos,
Pezares e alegrias.
Elle a procura!... o viajor pasmado
Nos campos de Pompéia, alonga a vista
Pela amplidão do praino,
Destroços e ruinas encontrando,
Onde esperava movimento e vida.
Não poder eu a troco de meu sangue
Poupar-te dessas lagrimas metade!
Oh! poder que eu podesse!-e almo sorriso,
Que tanto me compraz ver-te nos labios,
Inda uma vez brilhasse!
E essa existencia,
Que tão cara me é, t’a visse eu leda,
E feliz como a vida dos Archanjos!
Infeliz é quem chora: ella finou-se,
Porque os anjos á terra não pertencem;
Mas lá dos immortaes sobre os teos dias
A suspirada irmã vela incessante.
Vinde, candidas rosas, açucenas,
Vinde, roxas saudades;
Orvalhai, tristes lagrimas, as c’roas,
Que hão de a campa adornar por mim depostas
Em holocausto á victima da morte.
Innocencia, pudor, belleza e graça
Com ella n’essa campa adormecêrão.
Anjo no coração, anjo no rosto,
Devera o amor chorar sobre o teo seio,
Que não grinaldas funebres tecer-te;
Devera voz d’esposo acalentar-te
O somno da innocencia,-não grosseira
Canção de trovador não conhecido.
COIMBRA , Junho de 1841.
Leia Primeiros Cantos, de Gonçalves Dias, grátis no Literunico. Livro de poesia brasileira em domínio público, disponível para leitura online em HTML, com fonte Wikisource validada, poemas completos e metadados preparados para busca, redes sociais e pesquisa por IA.
Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.
Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!
Capítulos disponíveis para continuar a leitura.
Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!
Conhecer as 100 RelíquiasAinda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.
Durante a leitura, abra Menu para ajustar a experiência sem sair do capítulo. As preferências de aparência ficam salvas neste aparelho.
Recursos identificados como “em preparo” aparecem para antecipar a evolução do leitor, mas ainda não executam uma ação.
Posso mostrar leituras em destaque, clássicos e Relíquias disponíveis agora no Literúnico.
Escolha um caminho
Dúvidas desta página
As explicações do Aurélio são respostas cadastradas pelo Literúnico.