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De Joelhos

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De Joelhos

Capítulo 1 · De Joelhos

De Joelhos

Qual reza o irmão pelas irmãs queridas,

Ou a mãe que sofre pela filha bela,

Eu - de joelhos - com as mãos erguidas,

Suplico ao céu a felicidade dela.

- "Senhor meu Deus, que sois clemente e justo,

Que dais voz às brisas e perfume à rosa,

Oh! protegei-a com o manto augusto

A doce virgem que sorri medrosa!

Lançai os olhos sobre a linda filha,

Dai-lhe o sossego no seu casto ninho,

E da vereda que seu pé já trilha

Tirai a pedra e desviai o espinho!

Senhor! livrai-a da rajada dura

A flor mimosa que desponta agora;

Deitai-lhe orvalho na corola pura,

Dai-lhe bafejos, prolongai-lhe a aurora!

A doce virgem como a tenra planta

Nunca floresce sobre terra ingrata;

- Bem como a rola - qualquer folha a espanta,

- Bem como o lírio - qualquer vento a mata.

Ela é a rola que a floresta cria,

Ela é o lírio que a manhã descerra...

Senhor, amai-a! - a sua voz macia

Como a das aves, a inocência encerra!

Sua alma pura na novel vertigem

Pede ao amor o seu futuro inteiro...

- Senhor! ouvi o suspirar da virgem,

Dourai-lhe os sonhos no sonhar primeiro!

A mocidade, como a deusa antiga,

Na fronte virgem lhe derrama flores...

- Abri-lhe as rosas da grinalda amiga,

Na mocidade derramai-lhe amores!

Cercai-a sempre de bondade terna,

Lançai orvalho sobre a flor querida;

Fazei-lhe oh Deus! a primavera eterna,

Dai-lhe bafejos - prolongai-lhe a vida!

Depois - de joelhos - eu direi sois justo,

Senhor! mil graças eu vos rendo agora!

Vós protegestes com o manto augusto

A doce virgem que a minh'alma adora! -

Dezembro - 1858.

Qual reza o irmão pelas irmãs queridas,

Ou a mãe que sofre pela filha bela,

Eu - de joelhos - com as mãos erguidas,

Suplico ao céu a felicidade dela.

- "Senhor meu Deus, que sois clemente e justo,

Que dais voz às brisas e perfume à rosa,

Oh! protegei-a com o manto augusto

A doce virgem que sorri medrosa!

Lançai os olhos sobre a linda filha,

Dai-lhe o sossego no seu casto ninho,

E da vereda que seu pé já trilha

Tirai a pedra e desviai o espinho!

Senhor! livrai-a da rajada dura

A flor mimosa que desponta agora;

Deitai-lhe orvalho na corola pura,

Dai-lhe bafejos, prolongai-lhe a aurora!

A doce virgem como a tenra planta

Nunca floresce sobre terra ingrata;

- Bem como a rola - qualquer folha a espanta,

- Bem como o lírio - qualquer vento a mata.

Ela é a rola que a floresta cria,

Ela é o lírio que a manhã descerra...

Senhor, amai-a! - a sua voz macia

Como a das aves, a inocência encerra!

Sua alma pura na novel vertigem

Pede ao amor o seu futuro inteiro...

- Senhor! ouvi o suspirar da virgem,

Dourai-lhe os sonhos no sonhar primeiro!

A mocidade, como a deusa antiga,

Na fronte virgem lhe derrama flores...

- Abri-lhe as rosas da grinalda amiga,

Na mocidade derramai-lhe amores!

Cercai-a sempre de bondade terna,

Lançai orvalho sobre a flor querida;

Fazei-lhe oh Deus! a primavera eterna,

Dai-lhe bafejos - prolongai-lhe a vida!

Depois - de joelhos - eu direi sois justo,

Senhor! mil graças eu vos rendo agora!

Vós protegestes com o manto augusto

A doce virgem que a minh'alma adora! -

De Joelhos

Sinopse

Leia De Joelhos, de Casimiro de Abreu, grátis no Literunico. Poema clássico brasileiro em domínio público, publicado para leitura online em HTML, com fonte Wikisource validada e espelhos de conteúdo para busca, redes sociais e pesquisa por IA.

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