Universo da obra
Universo da obra
Ela tinha nove anos e um caderno na mão,
rabiscava universos no chão do colchão.
Enquanto o mundo dormia sem nada notar,
ela criava estrelas aprendendo a sonhar.
Guardava palavras em caixas de sapato,
inventava mistérios, castelos e retratos.
Fazia dos lápis espadas de luz,
e dava aos personagens a voz que conduz.
Na escola, distraída, olhava a janela,
porque havia mil mundos morando dentro dela.
A professora explicava continentes e países,
mas ela escrevia romances com finais infelizes.
Diziam:
“Isso é fase, já vai passar.”
Mas sonhos verdadeiros não sabem parar.
Cresciam silenciosos, igual flor no concreto,
fortes mesmo quando o mundo parecia incerto.
Ela lia escondida depois do jantar,
com o quarto apagado e a lua a vigiar.
Cada página aberta fazia entender
que histórias também podem sobreviver.
Então prometeu baixinho, sem ninguém escutar:
“Um dia meu nome também vai estar
na capa de um livro, numa grande livraria…
e alguém vai encontrar abrigo naquilo que eu escrevia.”
E desde essa noite, com coragem contida,
transformou fantasia em sentido pra vida.
Porque algumas meninas, antes mesmo de crescer,
já nascem com histórias querendo escrever.
“9 anos” é um poema delicado e inspirador sobre uma menina cheia de sonhos, que encontra nas palavras um lugar para imaginar, criar e acreditar em si mesma.
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